O projeto, no valor de 1,3 milhões de euros, é apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e está a ser desenvolvido pela empresa concessionária das termas, em parceria com o Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores (INOVA) e a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.
“Este projeto prevê transformar a água termal das Caldeiras da Ribeira Grande em produtos dermatológicos. Nós sabemos que há um conhecimento empírico bastante expressivo relativamente à utilização da água sulfurosa das Termas das Caldeiras para tratamentos de afeções da pele, mas cientificamente não havia comprovação destes factos”, disse hoje à agência Lusa a sócia-gerente da empresa Verde Similar Termas, Luísa Pereira.
A concessionária submeteu um projeto de investimento à linha PRR Reindustrializar – Açores para a realização de um “estudo aprofundado” das características da água termal e validação científica de uma terapêutica.
O projeto teve início em 30 de junho e desenvolve-se até junho de 2028.
“Temos muitos utilizadores, nomeadamente com psoríase, que utilizam o balneário das Termas das Caldeiras, na Ribeira Grande, mas a nossa intenção é que a terapêutica não se fique apenas pela utilização em balneário, para que possa haver um conjunto de produtos que nós já temos definidos, em termos físicos, diria assim, para o seu desenvolvimento posterior, após a validação científica desta utilização”, explicou.
Segundo Luísa Pereira, o projeto está dividido em duas áreas, estando a primeira relacionada com “uma caracterização da água mais aprofundada” e a segunda com a realização do estudo que incluirá crianças, jovens e adultos, no âmbito de doenças como psoríase, eczemas, edemas e pele atópica.
Após a conclusão do estudo, os investigadores avançam “para o desenvolvimento dos produtos a partir da água termal e dos recursos vulcânicos que as [Termas das] Caldeiras dispõem, que é também a lama vulcânica”.
Para a realização do estudo, os investigadores vão abrir um recrutamento voluntário, em setembro, destinado a pessoas “que se queiram submeter a esta terapêutica”.
“Precisamos de uma amostragem de sensivelmente 40 a 50 pessoas, dentro de cada condição atópica de saúde, para podermos ter um resultado expressivo”, disse.
Luísa Pereira considera “bastante importante” que as pessoas possam aderir ao estudo, alegando que “há muitas pessoas, nos dias de hoje, com afeções da pele” e a participação é gratuita.
“[A participação] permite-nos a validação científica destas valências da nossa água e permite-nos desenvolver esta terapêutica que constitui uma mais-valia para que as pessoas possam, na sua casa, continuar o seu tratamento e prevenir, assim, o aparecimento dessas afeções dermatológicas”, explicou.
A empresária, que também é presidente da Associação Termas dos Açores, destaca a realização do projeto por permitir a valorização de um recurso endógeno e possibilitar que o termalismo tenha uma “expressividade ainda maior” na região.
“Os visitantes já reconhecem o nosso termalismo, mas é necessário que possamos trabalhar em terapêuticas que possam ser levadas com estas pessoas que nos visitam, ou até que possam comprá-las através da Internet, para que os recursos endógenos da nossa região possam também chegar à casa das pessoas”, salientou.
O complexo das Termas das Caldeiras da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, teve origem no século XIX e oferece “águas termais sulfúreas a cerca de 39 graus centígrados, conhecidas pelas suas propriedades terapêuticas”, segundo a página da Direção Regional do Turismo dos Açores.
Na Região Autónoma dos Açores estão identificados 50 fenómenos termais (nas ilhas de São Miguel, Terceira, Faial, Flores e Graciosa), e existem oito estâncias termais ativas, sendo três balneários (dois em São Miguel e um na Graciosa).
São Miguel tem termas no concelho da Ribeira Grande (Caldeiras e Caldeira Velha), Ponta Delgada (Ferraria, na localidade de Ginetes, de momento encerradas) e no concelho da Povoação, freguesia das Furnas (hotel, Parque Terra Nostra, Poça da Dona Beija e fenómeno de lava-pés Poça da Dona Silvina). Na ilha Graciosa está ativo o balneário do Carapacho.
Termas da Ribeira Grande promovem estudo sobre tratamentos de doenças da pele
As Termas das Caldeiras da Ribeira Grande, nos Açores, estão a promover um estudo sobre produtos para tratamento de doenças da pele, para possibilitar que os doentes prossigam as terapias em casa, revelou a concessionária.
Autor: Lusa
