Açoriano Oriental
Setor imobiliário dividido sobre condicionamento de trânsito na Baixa de Lisboa

A Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal considera que a nova restrição ao trânsito na Baixa de Lisboa é “muito ousada”, podendo motivar “alguma diminuição da procura”, mas também há no setor quem elogie a medida.

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Foto: Eduardo Resendes
Autor: Lusa/AO Online

Em declarações à agência Lusa, o presidente da associação (APEMIP), Luís Lima, disse perceber “a bondade da medida” e a intenção de melhorar a qualidade de vida dos residentes a nível ambiental, mas considerou que “vai piorar a vida dos cidadãos a nível da sua mobilidade”.

“E isso pode ter consequências para o setor imobiliário”, salientou, acrescentando que os novos condicionamentos à circulação automóvel, previstos a partir do verão, podem penalizar a procura.

“Há quem pense que vai valorizar a nível ambiental, mas eu acho que, colocando o prato na balança, vai prejudicar mais a procura”, advogou.

A imobiliária Matriz Alfacinha, que trabalha há 30 anos no mercado imobiliário, sobretudo com arrendamentos de longa duração, afirma que esta medida “vai satisfazer uma vez mais os interesses político-económicos e não os dos alfacinhas”.

Numa resposta escrita enviada à Lusa, a Matriz Alfacinha defende que haverá um aumento da procura por parte dos turistas, notando que “o português não pode nem quer viver no centro histórico”.

Ainda assim, o tema não é consensual no setor.

O presidente executivo da consultora imobiliária JLL, Pedro Lancastre, acredita que esta “é uma medida positiva” e que a médio/longo prazo todos irão beneficiar dela.

Especialmente durante o período de obras “vai ser difícil” e os comerciantes serão afetados, admitiu, mas depois os benefícios serão visíveis.

“As zonas pedonais acabam por atrair mais gente. As pessoas preferem andar em zonas pedonais, de loja em loja. Numa primeira fase, o comércio poderá ser ligeiramente afetado, mas a médio/longo prazo será muito beneficiado”, reforçou.

Também o diretor-geral da Porta da Frente, outra das imobiliárias que trabalham na Baixa Pombalina, está convicto de que a vida dos residentes será melhorada, “desde que obviamente se mantenham os lugares disponíveis” para os mesmos.

Rafael Ascenso acredita que possa haver “alguma valorização”, mas não prevê que “de repente haja uma corrida a esse tipo de imóveis”.

“Acho que poderá ser positivo, mas não vejo que seja algo que vá de repente despertar o interesse exacerbado por imóveis nessa região”, afirmou.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina (PS), apresentou em janeiro a nova Zona de Emissões Reduzidas (ZER) Avenidas/Baixa-Chiado, que prevê que o trânsito automóvel nessa área passe a ser exclusivo para residentes, portadores de dístico e veículos autorizados, entre as 06:30 e as 00:00, a partir do verão.

A ZER abrange parte das freguesias de Santa Maria Maior, Misericórdia e Santo António, sendo delimitada a norte pela Calçada da Glória, Praça dos Restauradores e Praça do Martim Moniz, e a sul pelo eixo formado pelo Cais do Sodré, Rua Ribeira das Naus, Praça do Comércio e Rua da Alfândega.

Esta zona de emissões reduzidas é delimitada a nascente pela Rua do Arco do Marquês de Alegrete, Rua da Madalena e Campo das Cebolas, e a poente pela Rua do Alecrim, Rua da Misericórdia, Rua Nova da Trindade e Rua de São Pedro de Alcântara.


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