Secretário da Saúde dos Açores diz que foi erro não abrir inquérito às evacuações médicas

Secretário da Saúde dos Açores diz que foi erro não abrir inquérito às evacuações médicas

 

Lusa/AO Online   Regional   10 de Out de 2018, 21:36

O secretário regional da Saúde dos Açores disse que errou ao não ter mandado abrir um inquérito em 2017, perante as suspeitas de interferência da administradora do Hospital da Ilha Terceira numa evacuação médica.

“Refletindo um ano e meio depois, foi um erro que foi tomado da minha parte. Com certeza que deveria ter ponderado melhor e aberto o inquérito, até nessa perspetiva da melhoria que o sistema necessita”, afirmou Rui Luís, em declarações aos jornalistas, em Angra do Heroísmo.


O governante falava no dia em que foi entregue na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores o relatório do inquérito realizado este verão pela Inspeção Regional da Saúde, acompanhado por um despacho do presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, que ordena a “definição formal dos mecanismos de articulação e colaboração” entre as entidades que intervêm no processo de evacuações aéreas. Em 02 de fevereiro de 2017, a Proteção Civil dos Açores recebeu dois pedidos de evacuação de doentes de ilhas sem hospital, quase em simultâneo: um de uma criança de 13 meses com uma depressão respiratória num contexto de convulsão febril na ilha Graciosa e outro de uma jovem de 20 anos com um traumatismo cranioencefálico em São Jorge.


A coordenadora dos médicos reguladores (que tomam decisões sobre as evacuações) enviou, na altura, uma carta ao presidente da Proteção Civil, dizendo que foi inicialmente decidido retirar os dois doentes na mesma deslocação de helicóptero, mas que a presidente do conselho de administração do Hospital da Ilha Terceira pressionou a médica para dar prioridade à doente de São Jorge, que era sua familiar.


O secretário regional da Saúde optou, nessa altura, por não abrir um inquérito, mas em agosto deste ano, quando o caso foi relatado pelo jornal Diário dos Açores, o presidente do executivo açoriano decidiu abrir um inquérito “urgente”.


Rui Luís admitiu  que a decisão não foi “bem ponderada”, mas disse que não avançou com o inquérito porque tinha informação de que “clinicamente tinham sido tomadas as melhores decisões e de que não houve qualquer consequência relativamente aos utentes”.


“Arquivámos o pedido de inquérito passados três meses. A Proteção Civil fez um conjunto de reuniões no sentido de melhorar todos esses relacionamentos. Achámos na altura que, efetivamente, a situação estaria ultrapassada”, salientou.


Se fosse hoje, o secretário regional da Saúde assume que tomaria uma decisão diferente: “Se me perguntar se numa situação semelhante abriria um inquérito, claro que sim, tal como já abri outros neste ano e meio”.


Rui Luís destacou ainda as diretivas do despacho do presidente do Governo Regional, alegando que as evacuações médicas são situações de “grande pressão” por parte da família e dos próprios profissionais de saúde, pelo que é necessário “criar mecanismos legais para definição do papel de cada um”.


“Este relatório serviu para demonstrar que há um ano e meio atrás houve situações que não funcionaram e que nós estamos sempre a tempo de melhorar o funcionamento”, frisou.


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