São Miguel prejudicada com nova configuração de cabos submarinos

O Conselho de Ilha de São Miguel (CISM) considerou que aquela ilha açoriana fica “prejudicada” com a solução para os novos cabos submarinos de telecomunicações, devido ao “aumento do período de latência em 2 milissegundos”.



Em comunicado, o CISM explica que deliberou ainda por unanimidade que, com a solução prevista para os novos cabos de fibra ótica, a ilha de São Miguel é também “prejudicada” pelo “risco de interrupção”.

Para o CISM, “não ficou demonstrada qualquer vantagem técnica de fazer a amarração primeiro na ilha Terceira” e “a solução escolhida é a mais cara entre todas as opções consideradas”.

“Deverá assegurar-se uma ligação de alto débito direta entre o Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel – NONAGON e a estação terrestre de cabos submarinos”, defende o CISM.

O Conselho de Ilha recomendou ainda “que se proceda a um estudo técnico que permita encontrar soluções alternativas de emergência para as comunicações interilhas”.

O PSD/Açores considerou hoje que a configuração proposta para os novos cabos submarinos de comunicações será um projeto "bom para os Açores", com a ilha de São Miguel a ficar com uma capacidade “50 vezes superior à atual”.

Em comunicado, o partido referia-se ao cabo submarino CAM (continente-Açores-Madeira), que se prevê que entre primeiro na ilha Terceira, seguindo depois para a ilha de São Miguel, onde ligará ao cabo já existente para o arquipélago da Madeira.

Para o deputado regional do PSD Flávio Soares, quanto ao “ponto de saída para o continente ser na Terceira ou São Miguel, corresponde a uma diferença de 2 milissegundos, o que constitui um fator irrelevante”.

O parlamentar, que participou na reunião do CISM, destacou as vantagens para a ilha de São Miguel do futuro cabo submarino de telecomunicações, com uma capacidade “50 vezes superior à atual”.

“Temos de estar unidos para que a Região Autónoma dos Açores passe a ter um cabo com capacidade quase 50 vezes superior à do atual, sendo que o atual se pontua nos 135 Gigabits, enquanto o novo atingirá os 6,4 Terabytes”, sublinhou.

O que interessa “é a substituição rápida e eficaz e a atuação rápida e eficaz do Governo da República na resolução deste problema para o qual estamos a caminhar a passos largos para o seu tempo limite”, vincou o deputado do PSD/Açores.

Em 23 de janeiro, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada alertou que a configuração proposta para os novos cabos submarinos “prejudica gravemente o potencial socioeconómico” de São Miguel, porque a ilha fica sem ligação direta ao continente.

Em comunicado, a associação representativa dos empresários micaelenses considerava “muito preocupante” que se realize uma “alteração estrutural da configuração existente” dos cabos submarinos “sem “divulgar os estudos técnicos que a suportam”, lembrando que a atual disposição “tem funcionado bem”.

Para a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, a nova configuração é uma “solução errada” porque “prejudica” São Miguel, a ilha com a “maioria do tráfego e das infraestruturas digitais”.

Em 13 de janeiro, o Chega/Açores pediu esclarecimentos ao Governo Regional sobre o “desvio” para a ilha Terceira da principal ligação de cabos submarinos à região, questionando se a ilha de São Miguel perderá a ligação submarina direta a Lisboa.

Três dias depois, o presidente da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo disse que a opção de ligar o cabo submarino do continente português à ilha Terceira foi “estritamente técnica”, acusando o deputado do Chega/Açores de “bairrismo”.


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