Saída da Ryanair com impacto na Páscoa no alojamento local dos Açores

A saída da Ryanair dos Açores já está a ter efeitos no turismo, com mais de metade das unidades de alojamento local a registarem taxas de ocupação abaixo dos 50% para a Páscoa e um terço sem reservas, alertou a associação



Em declarações à agência Lusa o presidente da Associação de Alojamento Local (ALA) dos Açores, João Pinheiro, disse que “a Páscoa será o primeiro teste” ao turismo açoriano, após o fim da operação da companhia aérea de baixo custo Ryanair para os Açores, neste fim de semana.

“Já estamos a ter impactos”, alertou João Pinheiro, sublinhando que haverá unidades que “não vão ter um único cliente” durante o período da Páscoa.

Segundo um inquérito realizado pela ALA, "mais de 50% dos associados têm uma taxa de ocupação abaixo dos 50%" para a Páscoa, enquanto "cerca de um terço não regista qualquer reserva".

João Pinheiro disse à Lusa que a saída da Ryanair terá como consequência direta a redução do número de lugares disponíveis para o arquipélago, afetando não só o alojamento local, mas também restauração, comércio e outros serviços.

Atualmente existem nos Açores 4.600 unidades de alojamento local distribuídas pelas nove ilhas, com um total de 26 mil camas, o que representa 62% da capacidade de alojamento do arquipélago açoriano.

"E, sem este dinamismo económico através do alojamento local, que representa mais de 60% das camas e cria um rendimento extra às famílias e alavanca os outros setores, vamos ter uma redução na economia e nos impostos. Acho que, neste momento, não estamos num momento de maturidade do destino Açores", apontou.

O presidente da ALA considerou que, "sem uma estratégia eficaz" para o turismo e para a mobilidade aérea, o arquipélago poderá perder competitividade face a destinos concorrentes como o Algarve, a Madeira ou as Canárias, que continuam a captar companhias aéreas e beneficiam de maior oferta de voos.

“Estamos numa posição geográfica que até nos podia favorecer num contexto de instabilidade internacional, devido à guerra, mas não estamos a aproveitar essa oportunidade”, lamentou João Pinheiro.

O responsável disse que o impacto poderá agravar-se nos próximos meses, revelando "muita preocupação" com o ritmo de reservas para a época alta, entre maio e setembro, que "não está a ter o mesmo ritmo dos últimos anos".

"As nossas pequenas e médias empresas são muito frágeis a nível de tesouraria, porque temos a mais alta sazonalidade do país. Trabalhamos muito no verão para fazer face à quebra enorme que existe na época baixa. E, se há alguma alteração da taxa de ocupação e na receita nos meses mais altos, vamos ter dificuldades de tesouraria das empresas que têm custos fixos e altos", alertou.

O presidente da ALA admitiu que "muitos empresários" do alojamento local possam colocar as suas unidades à venda ou para arrendamento a longo prazo, "se não houver efetivamente um investimento no turismo".

“Os empresários vão ter de ser proativos e não deixar acontecer como o nosso Governo [Regional] está a deixar acontecer. É preocupante que esteja a ocorrer [a saída da Ryanair] num momento como este”, sustentou, acrescentando que o setor teme um “contraciclo” no turismo açoriano.

“Sem investimento e sem resposta estratégica, vamos assistir a uma retração da economia local, com impacto no emprego, nos rendimentos das famílias e nas receitas fiscais”, apontou.

A associação antecipou, ainda, que a redução de lugares disponíveis poderá pressionar os preços das viagens, tornando os Açores "menos competitivos" face a outros destinos turísticos.

“Perspetivo um grande impacto na economia açoriana direta e indiretamente, porque vamos ter só a TAP e a SATA a voar nas épocas baixas. E isso poderá fazer uma pressão enorme no preço. E,os nossos concorrentes mais diretos, como Madeira e Canárias, com todas as companhias a voarem para lá, serão um destino sempre muito mais competitivo do que voar par aos Açores”, vincou.

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Na apresentação das Festas do Senhor Santo Cristo deste ano, o reitor do Santuário, o cónego Manuel Carlos Alves, afirmou que “não podemos ignorar a urgência da oração pela paz”, num tempo em que “até os cristãos se deixam envolver por discursos radicais, polarizadores e promotores de guerra”. Situação nos EUA pode trazer menos emigrantes