Romaria a Santana tenta convencer indecisos e desiludidos

Romaria a Santana tenta convencer indecisos e desiludidos

 

Lusa/AO online   Regional   11 de Out de 2012, 14:55

A feira de gado de Santana, na Ribeira Grande, foi hoje local de romaria na campanha eleitoral dos Açores, com Vasco Cordeiro (PS) e Berta Cabral (PSD) a tentarem convencer os eleitores indecisos, muitos deles desiludidos com os políticos.

Entre vacas, roupa, vimes, enxadas e outros produtos agrícolas que fazem da Feira de Santana um dos pontos tradicionais das campanhas eleitorais açorianas, as caravanas do PS, PSD, CDU, PDA e MRPP tentaram conquistar votos num palco de terra onde todos os partidos fizeram os seus comícios e os cabeças de lista social-democrata e socialista se cumprimentaram cordialmente.

“Nestes últimos dias, isto é um circo, onde gente séria se transforma em palhaços e palhaços se transformam em gente séria. E mais não digo quem é quem”, afirmou, junto à rulote de café, Mário Abrantes, candidato da CDU por Ponta Delgada.

O comunista criticou também os partidos por estarem em “campanha desde janeiro”, porque, quando “se chega ao momento das eleições, o processo já está destroçado” e o “povo está farto” dos políticos.

Oliveira Silva, de 57 anos, não sabe ler nem escrever, mas sabe em quem vai votar no domingo. “Não digo em quem”, mas “também só voto porque uma pessoa quer que as coisas melhorem” e não por acreditar nos políticos, que “só fazem promessas e promessas”, justificou.

A campanha na feira começou cedo para a CDU, mas as estrelas da manhã foram os dois partidos que aspiram à presidência do Governo Regional.

À entrada, os carros de campanha tinham o volume de som no máximo e a ‘vitória’ pendia claramente para o PS, que beneficiava com as frases mais assertivas como “Com Vasco Cordeiro, os Açores estão primeiro”, enquanto o PSD se limitava ao hino partidário.

Mas a entrada dos bombos e da música da pequena orquestra que acompanha a ex-presidente da Câmara de Ponta Delgada nas suas deslocações ao terreno fez virar o jogo a favor do PSD. “Quando nós entramos, muda tudo. As pessoas querem é música a sério e não coisinhas gravadas”, disse, entre sorrisos, Ludgero Neto, de 19 anos, que foi da Ponta Garça para tocar trombone por Berta Cabral.

Pedro Garcês, do staff da social-democrata, reconheceu que a visita é “mais uma tradição”, mas afirmou que é “sempre reconfortante” para os eleitores verem o seu candidato no terreno, "seja ele qual for".

Vendedora de roupa na feira de gado, Célia Lito revelou que vai votar no PS. “Eu sou mulher, mas para estas coisas do Governo é preciso um homem. E ainda por cima é bonito”, disse.

“Aquele é que é o filho do doutor Cordeiro, não é?”, perguntou Antónia Semedo, apontando para o candidato do PS enquanto escolhia um cesto nas traseiras de uma carrinha. “É o que o [Carlos] César lá pôs, mas ele é melhor que o César”, respondeu o vendedor, ao mesmo tempo que pedia três euros pelo cesto.

A manhã encheu-se de bandeiras partidárias - a maior do recinto coube ao PDA, que defende a autonomia regional, mas que não mostrou conseguir tantos apoiantes como as principais forças partidárias.

Mais discretos foram os três militantes do PCTP/MRPP que distribuíam folhetos, sem bandeiras, bombos ou música gravada. Quando Berta Cabral passou, houve cumprimentos e sorrisos, com troca de folhetos entre os dois grupos. “Somos amigos de antes disto da política”, justificou Pedro Pacheco, candidato do partido.

Vindo de comprar galinhas, João Oliveira seguia com a bandeira do PSD e uma t-shirt do PS na mão, mas não tem dúvidas de que esta é a altura de mudar o Governo Regional: “Se continuarmos a pedir dinheiro, isto vai tudo para a bancarrota, como diz lá o Passos Coelho no continente”.

A bandeira do PSD é para “guardar porque é do coração”. Já a t-shirt socialista é para “dar ao filho, porque ele estraga muitas camisolas nas obras”.

De casaco vermelho e sempre sorridente, Berta Cabral revelou mais à vontade do que Vasco Cordeiro, cumprimentando vendedores e clientes, numa azáfama de beijos, apertos de mão e festas ao gado.

Discutiu preços de animais, saltou ao som dos bombos e conversou com todos os que estavam em seu redor, motivando mesmo o elogio discreto do histórico social-democrata Mota Amaral: “A Bertinha é uma empatia, não é?”.


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