Defesa

Reunião militar de alto nível EUA-Rússia na Finlândia


 

Lusa/AOonline   Internacional   21 de Out de 2008, 15:21

O chefe do Estado-Maior norte-americano reuniu-se em Helsínquia com o homólogo russo para relançar, ao mais alto nível militar, as relações bilaterais abaladas pelo conflito na Geórgia, em Agosto, anunciou fonte diplomática.
As delegações de cada um dos países foram chefiadas, respectivamente, pelo almirante Michael Mullen e pelo general Nikolai Makarov, precisou Kim Hagan, porta-voz da embaixada norte-americana na Finlândia.

    Mullen e Makarov reuniram-de logo depois do pequeno-almoço de trabalho organizado pelo chefe do Estado-Maior finlandês, Juhani Kaskeala, adiantou a mesma fonte, que declinou revelar o conteúdo das conversações havidas numa residência isolada nos arredores de Helsínquia.

    Este foi o primeiro frente-a-frente ao mais alto nível militar entre os dois países desde que Makarov assumiu funções de Junho e desde a crise internacional desatada com o conflito georgiano no Cáucaso.

    A Geórgia - ainda ocupada pelas tropas russas nas repúblicas independentistas da Abkhazia (noroeste) e Ossétia do Sul (centro-norte), apesar do acordo de paz mediado pela presidência francesa da União Europeia (UE) estipular a retirada total - é aspirante à plena adesão à Aliança Atlântica (NATO), talvez já em Dezembro próximo, e um país para onde Washington tem canalizado avultadas ajudas económicas e militares.

    De facto, as forças armadas georgianas há anos que contam com a ajuda de conselheiros militares norte-americanos, deslocados para o país caucásico no quadro do combate ao terrorismo.

    Moscovo vê com muito maus olhos esta situação, porque considera a Geórgia - ex-república soviética - parte integrante da esfera de influência da Rússia.

    A Casa Branca e o Kremlin também estão de candeias às avessas por causa da futura instalação de bases do sistema de defesa anti-míssil (NMD) norte-americano na Polónia e na República Checa, teoricamente para prevenir um ataque nuclear iraniano à Europa mas, na prática, mecanismos que neutralizam o arsenal de mísseis de longo alcance russos.

    “Estrategicamente é importante o reatamento do diálogo (EUA-Rússia) para cimentar uma boa relação a longo prazo”, sustentou fonte militar norte-americana antes da reunião Mullen-Makarov.

    “Há desacordo em várias frentes e a Geórgia está no topo das preocupações”, acrescentou, recordando ter sido Makarov a tomar a iniciativa, após contacto telefónico prévio com Mullen dias antes da invasão do país caucásico.

    Quanto à NATO, até nova ordem manterá a decisão assumida a 19 de Agosto de suspender as relações com a Rússia, disse o porta-voz aliado James Appathurai, comentando a bilateral Mullen-Makarov.

    A 10 de Outubro - concluiu, evocando a data limite para a retirada das tropas enviadas pelo Kremlin contra a Geórgia - o próprio secretário-geral da organização, o holandês Jaap de Hoop Scheffer, se manifestou contra a normalização imediata das relações NATO-Rússia.

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