Retórica anti-americana aumenta no discurso dos dirigentes russos

Retórica anti-americana aumenta no discurso dos dirigentes russos

 

José Milhazes / Lusa/ AO online   Internacional   15 de Ago de 2008, 20:20

Um dia de intensas conversações em Sotchi e em Tbilissi não conseguiu aproximar as posições das partes do conflito, antes pelo contrário, os ataques mútuos aumentam pelo menos ao nível do verbo.
    O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, e a chanceler alemã, Angela Merkel, reuniram-se em Sotchi, cidade russa perto da zona do conflito entre Moscovo e Tbilissi, mas não chegaram a um acordo sobre nenhum dos pontos discutidos.

    “O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, e a chanceler alemã, Angela Merkel, não souberam encontrar um ponto de contacto durante a discussão da situação em torno da Ossétia do Sul. Na conferência de imprensa conjunta depois do encontro, cada um falou das suas posições, confirmando que não se chegou a um acordo nas avaliações das causas e consequências do conflito militar”, considera a agência oficiosa russa “Ria-Novosti”.

    Merkel considerou “desproporcional” a intervenção militar russa no Cáucaso, defendeu a integridade da Geórgia e a retirada rápida das forças armadas russas desse país.

    Medvedev disse possuir provas de que a reacção russa só podia ser a que foi, defendeu a independência da Abkházia e Geórgia e a continuação de tropas russas na região.

    Fonte diplomática contactada em Moscovo pela Lusa chamou a atenção para o facto de a retórica anti-americana e anti-georgiana estar a aumentar na Rússia a todos os níveis, sublinhando que o próprio Medvedev “entrou nessa onda”.

    “O discurso do Presidente Medvedev está a aproximar-se, pela dureza das palavras, do tom das declarações do primeiro-ministro, Vladimir Putin. O chefe do Kremlin começa, tal como o seu antecessor, a recorrer a palavras pouco diplomáticas como 'conto de fadas', 'ideias idiotas'”, considera a fonte.

    “Enganaram-se aqueles que pensavam e ainda pensam que Medvedev é o bom e Putin o mau da fita. A situação de crise mostrou que não é assim”, concluiu.

    Esta retórica dura é seguida por outros altos funcionários civis e militares russos não só em relação à situação no Cáucaso, mas também no Leste da Europa.

    Dmitri Rogozin, representante da Rússia junto da NATO, considera que o sistema de defesa antimíssil norte-americano é um “gato podre” oferecido à Europa.

    Anatoli Nogovitsin, vice-chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia vai mais longe nas ameaças à Polónia e recorda um dos pontos da doutrina militar do país.

    “Aí está claramente escrito: nós empregamos armas nucleares contra estados que possuem essas armas; contra os aliados dos Estados que têm armas atómicas se eles os apoiarem de algum modo; bem como contra os que instalarem no seu território armas nucleares”, precisou.

    Leonid Radzikovski, comentador político da rádio Eco de Moscovo, chama a atenção para o facto de estas posições isolarem ainda mais a Rússia no campo internacional, sublinhando que a operação militar contra a Geórgia “teve apenas o apoio de Cuba e Venezuela”.

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