Obesidade

Restaurantes aplaudem "menu saudável"

Restaurantes aplaudem "menu saudável"

 

Lusa/AO online   Nacional   11 de Set de 2008, 17:36

A disponibilização de um “menu saudável” nos restaurantes é um dos projectos da plataforma contra a obesidade da Direcção-Geral da Saúde, que a Associação de Restauração e Similares de Portugal (ARESP) aplaude, mas quer ver rebaptizada.
À margem da primeira reunião do Conselho Consultivo da plataforma, Susana Leitão, directora de qualidade da ARESP, considerou hoje a disponibilização de um menu saudável nos restaurantes uma "óptima ideia", mas com uma designação "que não é a mais feliz, por dar a entender que as restantes refeições não são saudáveis".

    "O prato tradicional servido é saudável por regra: tem uma base rica em verduras, mas às vezes são os erros dos próprios consumidores que tornam a refeição excessivamente calórica, ao preferirem refrigerantes a água e sobremesas doces à fruta", disse a responsável, em declarações à Lusa.

    Susana Leitão sublinhou, porém, que a ideia é boa também para satisfazer a procura dos consumidores, cada vez mais preocupados com a saúde, e afirmou ainda a necessidade de existir um guia orientador para os restaurantes.

    "Fala-se num menu de 800 calorias, mas terá que se estudar com a Direcção-Geral da Saúde a possibilidade de serem dadas indicações aos empresários, que não têm formação nutricional e na elaboração dos menus podem ultrapassar em 100 ou 200 calorias o estipulado", notou.

    O coordenador da Plataforma, João Breda, explicou que com o “menu saudável” se procura uma "oferta mais saudável e equilibrada em termos calóricos", de forma a incluir nas refeições mais fibras, minerais e vitaminas e menos açucares, sal e gorduras trans, que aumentam o mau colesterol.

    Quanto à designação, o responsável afirmou à Lusa ser uma expressão facilmente reconhecida pelos consumidores.

    Durante a reunião do Conselho Consultivo, referiu que as escolhas mais saudáveis devem "estar ao virar da esquina e serem de fácil acesso".

    O director-geral da Saúde, Francisco George, destacou que o “menu saudável” poderá ser disponibilizado como o já existente “menu turístico” e "é possível que não ultrapasse as 800 calorias e seja usado até em dias de festa".

    O responsável referiu ainda a importância de serem encontrados "equilíbrios, sem fundamentalismos", entre os vários envolvidos na questão da prevenção da obesidade para que "não se chegue aos padrões de obesidade dos Estados Unidos, onde não foram tomadas medidas".

    Da agenda deste conselho consultivo, que também integra profissionais de saúde e representantes do sector agrícola, consta ainda a criação do selo "selecção positiva", que certifica a qualidade de produtos considerados saudáveis.

    O processo de adopção deste selo está a decorrer e a ser submetido às regras comunitárias de alegações nutricionais e de saúde nos alimentos.

    O Director-Geral da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares, Pedro Queiroz, garantiu o interesse do sector em estar envolvido nesse processo para que sejam definidos os melhores critérios, mesmo que às vezes não sejam consensuais.

    O mesmo dirigente sublinhou à Lusa que a indústria tem adoptado voluntariamente formas de rotulagem para esclarecer melhor os consumidores sobre a quantidade de nutrientes e necessidades diárias do organismo.

    Também se tem apostado na reformulação de produtos, ao diminuir as quantidades de gorduras trans, açucares ou sal e reforçar os ingredientes mais saudáveis, acrescentou.

    Sobre a publicidade, o responsável lembrou os compromissos internacionais adoptados para restringir mensagens dirigidas a crianças menores de 12 anos. "Não fazer apelos excessivos e não usar figuras de referência para convencer as crianças" a consumir são algumas das medidas que a indústria está a seguir.

    João Breda também apoia iniciativas de "controlo da publicidade quando excessiva e dirigida em particular às crianças".

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