Responsáveis dos jornais ponderam entrar no e-book Kindle mas dizem que é cedo

Responsáveis dos jornais ponderam entrar no e-book Kindle mas dizem que é cedo

 

Lusa/AO Online   Economia   1 de Nov de 2009, 14:01

A maioria dos responsáveis pelos jornais portugueses pondera disponibilizar os títulos no leitor de livros e jornais electrónico Kindle, como fez o grupo espanhol Prisa, mas apenas no Público a concretização da ideia foi já estudada.

O grupo espanhol Prisa anunciou recentemente que vai disponibilizar as edições do El País, do Ás e do Cinco Dias no Kindle, através de um acordo estabelecido com a empresa de comércio electrónico norte-americana Amazon.

Em Portugal, "o Público já colocou a hipótese e começou a estudar a disponibilização de uma versão para os utilizadores do Kindle", avançou à Lusa o ex-director José Manuel Fernandes.

"Sempre fomos inovadores na net, tivemos a primeira página em português adaptada ao iphone, lideramos no twitter, seguramente que também quereremos liderar nos e-readers", disse José Manuel Fernandes, que a deixou sábado a direcção do jornal da Sonaecom.

Apesar de a hipótese ter sido estudada, a concretização não está para breve porque "o Kindle em Portugal ainda vai demorar a ser uma realidade".

"Por enquanto a Amazon está a vender a partir dos EUA, o que implica direitos alfandegários em cima de um preço base já elevado, pelo que chega ao nosso país muito mais caro", explicou.

Além do Kindle, o Público tem andado "a seguir com atenção o que está a suceder no mercado dos e-readers, onde o padrão ainda não está estabilizado".

"É certo que o Kindle surgiu como um dos melhores adaptados à leitura de notícias, mas esta semana foi lançado o Nook (da Barnes&Noble), não nos podemos esquecer do Sony Reader e é grande a expectativa sobre o que poderá vir a fazer a Apple na sequência do iPhone", disse.

Mas o Público não foi o único onde a hipótese já foi colocada.

Também o administrador da Global Notícias - empresa que detém o DN, o JN, o 24Horas e o Jogo - Gabino Oliveira disse à Lusa que "tendo em conta que pode ser mais uma fonte de receitas e que a sua base está em crescimento", a hipótese de disponibilizar os títulos no Kindle já foi colocada.

No entanto, "ainda não há custos nem investimento e, sendo ainda uma hipótese, não há data", ressalvou.

Quem também se diz atento à nova plataforma de leitura são os responsáveis do grupo Impresa, que detém, entre outros títulos, a Visão e o Expresso.

A Impresa "está sempre atenta a novas plataformas de contacto com os leitores e a novas soluções para os anunciantes", sublinhou fonte oficial do grupo de Pinto Balsemão.

"Mas, em relação ao tema em questão, não existe nenhuma acção em concreto", acrescentou.

A hipótese também já foi "colocada e discutida, mas não testada" no jornal i, disse o director do título do grupo Lena, Martim Avillez Figueiredo, adiantando que a hipótese será ponderada "no Kindle e em qualquer plataforma que suporte o que o jornal vende: informaçao rigorosa e independente".

"Estamos sempre a explorar. Fora isso, não há muito mais a dizer para já", acrescentou.

Dos responsáveis de jornais que a Lusa conseguiu contactar, apenas o director de A Bola, Vítor Serpa, disse que "por enquanto, a questão [de disponibilizar a publicação no Kindle] não é equacionada".

A cadeia Amazon comercializa desde Novembro de 2007 o Kindle, leitor digital que permite o armazenamento de "200 títulos sem ilustrações".

O Google anunciou, a 16 de Outubro, o lançamento de uma "livraria digital" com títulos que se poderão ler em qualquer aparelho de leitura, o que pode ampliar o sector dos livros electrónicos, dominado até agora pelo Kindle.


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