Reitor deixa mensagem de esperança: "Não estamos abandonados por Jesus"

O cónego Adriano Borges deixou uma mensagem emocionada aos fiéis que acompanharam a homilia da missa em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres através da televisão. “A imagem hoje não sai à rua nem os devotos podem vir ao seu Santuário, mas o Senhor Santo Cristo não está fechado: Ele quer estar fechado e enclausurado no nosso coração; temos de ser capazes de lhe abrir a nossa vida e o nosso coração”, afirmou.



Durante a homilia, e visivelmente emocionado, o sacerdote que ficará na história como o primeiro reitor do Santuário a ter de decidir o cancelamento das festas religiosas mais importantes dos Açores, organizadas pela Igreja, quis, no entanto, deixar uma palavra de esperança para todos os devotos do Senhor Santo Cristo, elogiando o comportamento dos fiéis que respeitaram as decisões da reitoria do Santuário. O sacerdote lembrou as inúmeras pessoas que ao longo destes dias têm marcado presença no Campo de São Francisco e destacou a “serenidade e tranquilidade com que o fizeram”.

“O silêncio que se tem vivido aqui foi bonito ; a forma ordeira e serena com que tudo tem acontecido tornou este silêncio num silêncio cheio de sentido. Por isso, não é de todo descabido que todos nós açorianos e devotos continuemos a pedir que este seja o Campo do Senhor: um campo sagrado, de silêncio e de oração”.

“Este milagre do respeito, do distanciamento social, de todos sabermos comportar-nos neste tempo é uma oportunidade que deve dar grande alegria à nossa cidade e a todos os açorianos”.

“Não pode haver sinos, foguetes ou manifestações publicas, mas podemos venerar Cristo em nossos corações” exortou deixando uma palavra de esperança.

“São muitas as cordas que nos amarram e nos tornam impotentes, muitas são as responsabilidades; são inúmeros os mantos que pesam sobre nós e se tornam pesados demais ; muitos são os espinhos que atravessam o nosso pensamento, o nosso coração e a nossa vida, mas são esses espinhos, esse manto e essas cordas que Jesus Cristo assumiu para si para que nós fossemos livres, para que nós fossemos felizes”, disse.

“A imagem hoje não sai à rua nem os devotos podem vir ao seu Santuário, mas o Senhor Santo Cristo não está fechado: Ele quer estar fechado e enclausurado no nosso coração; temos de ser capazes de lhe abrir a nossa vida e o nosso coração”, afirmou.

“Não estamos abandonados por Jesus: até podemos sentir uma certa orfandade mas Jesus não nos deixará de auxiliar, nunca”, reiterou destacando um dos aspectos que mais se salienta nesta imagem do Ecce Homo e que é o seu olhar.

“Uma das coisas que mais nos impressiona é a forma como ela nos olha, independentemente do ângulo ou do lugar onde nos encontramos” afirmou.

“Diante desta imagem extraordinária, percebemos como os olhos de Jesus estão sempre postos em nós. É um olhar que nos toca e nos vê tal como somos”. E terminou: “ Ele é mais íntimo de nós do que nós somos de nós mesmos e o seu olhar diz-nos apenas: amo-te, amo-te, amo-te, sem nos julgar”.

No final da celebração foi lida uma mensagem do Bispo de Angra que exorta à esperança e à serenidade.

O reitor do santuário deixou ainda a confirmação avançada já pelo Igreja Açores na passada sexta feira de que o cardeal português D. José Tolentino Mendonça será o presidente da Festa no próximo ano, ele que também já “se assumiu como um devoto do Senhor Santo Cristo” disse o Cónego Adriano Borges, que lembrou o bispo emérito de Angra que hoje celebra 50 anos de sacerdócio. D. António de Sousa Braga foi ordenado a 17 de maio de 1970, em Roma, pelo Papa Paulo VI.

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