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Raimundo pede justiça célere para não "ficar uma nebulosa”

O secretário-geral do PCP defendeu hoje um rápido esclarecimento dos casos judiciais que envolvem o Governo, considerando que deixar “ficar uma nebulosa” seria “a pior coisa” que poderia acontecer.

Raimundo pede justiça célere para não "ficar uma nebulosa”

Autor: Lusa /AO Online

“A bem de todos, a bem da justiça, a bem da sociedade, era bom e era urgente, dentro dos prazos possíveis da justiça, que todos estes casos fossem rapidamente esclarecidos e, havendo culpados, que fossem culpados com todas as consequências que daí decorrem”, afirmou Paulo Raimundo.

O secretário-geral do PCP falava aos jornalistas durante um protesto que junta hoje à tarde milhares de pessoas em Lisboa, organizado pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses — Intersindical Nacional (CGTP-IN), sob o lema “Pelo Aumento dos Salários/Contra o Aumento do Custo de Vida”.

“Ganhávamos todos se isto fosse rapidamente esclarecido. Ficar uma nebulosa, ficar a ideia de lamaçal no meio disto é a pior coisa que pode acontecer”, alertou Paulo Raimundo, que se escusou a fazer qualquer comentário sobre “a disputa dentro do PS e a sua arrumação de casa”.

No seu entender, aquilo que fará diferença nas próximas eleições legislativas será o resultado que a CDU (PCP/PEV) tiver: “Isso é que determinará o futuro da política que se irá desenvolver.”

“Estamos muito confiantes para essa batalha eleitoral”, vincou.

O secretário-geral do PCP salientou que, nos últimos dois anos, em que o PS teve maioria absoluta, tendo “todos os instrumentos na mão” e “sem nenhum obstáculo, não só desbaratou todas essas condições, como as opções que fez foram exatamente contrárias àquelas que o povo e o país precisavam”.

“As pessoas já perceberam a diferença que faz o aumento ou não da CDU e do PCP”, asseverou.

Além disso, sublinhou, é claro para o PCP que Portugal “tem meios, tem condições, tem recursos e, acima de tudo, tem gente séria e gente honesta para responder aos problemas do país”.

Sobre os protestos hoje em Lisboa e no Porto, o dirigente comunista realçou que é “uma grande resposta dos trabalhadores” perante os problemas vividos atualmente.

“Os problemas dos baixos salários, os problemas do aumento do custo de vida, os problemas das baixas pensões. É também isto que hoje se está a expressar aqui na rua, com esta força e esta determinação, a exigir exatamente isso: mais salários, mais pensões, combate contra o aumento do custo de vida”, referiu, sublinhando que, se os problemas “não ficam à espera”, os trabalhadores também não podem ficar.

Portugal vai ter eleições legislativas antecipadas em 10 de março de 2024, marcadas pelo Presidente da República, na sequência da demissão do primeiro-ministro, na terça-feira.

António Costa é alvo de uma investigação do Ministério Público (MP) no Supremo Tribunal de Justiça, após suspeitos num processo relacionado com negócios sobre o lítio, o hidrogénio verde e um centro de dados em Sines terem invocado o seu nome como tendo intervindo para desbloquear procedimentos.

O Ministério Público considera que houve intervenção do primeiro-ministro na aprovação de um diploma favorável aos interesses da empresa Start Campus, responsável pelo centro de dados, de acordo com a indiciação, que contém várias outras referências a António Costa.

No dia da demissão, Costa recusou a prática “de qualquer ato ilícito ou censurável”.

De acordo com o MP, no processo dos negócios do lítio em Boticas e Montalegre, do hidrogénio verde e do centro de dados em Sines podem estar em causa os crimes de prevaricação, corrupção ativa e passiva de titular de cargo político e tráfico de influência.

No total, há nove arguidos no processo, entre eles o ministro das Infraestruturas, João Galamba, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, o advogado e antigo porta-voz do PS João Tiago Silveira e a empresa Start Campus.

Cinco pessoas foram detidas para interrogatório: o chefe de gabinete do primeiro-ministro, Vítor Escária, o presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas, dois administradores da sociedade Start Campus, Afonso Salema e Rui Oliveira Neves, e o advogado Diogo Lacerda Machado, amigo de António Costa.



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