PS vai propor plano de revitalização económica da base das Lajes

PS vai propor plano de revitalização económica da base das Lajes

 

Lusa/AO Online   Regional   15 de Nov de 2013, 07:22

O presidente do Governo dos Açores diz que as Lajes não podem ser "uma luta" só do executivo regional e anunciou que o PS vai propor um "plano de revitalização económica" para a base no Orçamento do Estado.

 

"Preocupa-me muito as recentes declarações do senhor ministro da Defesa, que parecem querer colocar esta questão da base das Lajes no âmbito da cooperação militar entre Portugal e os EUA. Esse é um erro crasso, não é esse o caminho", disse Vasco Cordeiro na quinta-feira, numa entrevista à RTP/Açores.

A questão das Lajes, defendeu, "tem de ser colocada no âmbito do relacionamento diplomático entre os dois países".

"Tem de ser colocada no plano da consideração e do respeito que merece Portugal pelo facto de ter acolhido os EUA na ilha Terceira, na base das Lajes. E para além disso, de ter, num conjunto variadíssimo de circunstâncias, agido de forma leal e com grande parceria em relação aos EUA. É por isso que digo que esta não pode ser uma luta apenas do Governo dos Açores, é o respeito, é o prestígio e a dignidade do país que está também em causa na forma com os EUA agirem nesta matéria", afirmou.

Vasco Cordeiro destacou que o Governo da República "tem agido nesta matéria por diversas vias e em diversos canais" e que o trabalho do embaixador de Portugal em Washington tem sido "exemplar", mas considerou que há "outras componentes" em que gostaria de ver um "empenho mais decidido" por parte das "entidades da República", referindo que são aspetos relacionados com a "análise da possibilidade de utilizações alternativas" para a base.

"Nós já conseguimos muito ao longo deste ano", sublinhou, referindo que inicalmente a redução do efetivo militar nas Lajes em 2014 era uma decisão "fechada" por parte dos EUA e agora há a possibilidade de ser adiada.

"Devemos mobilizar-nos todos para garantir que, por um lado, da parte americana, existe a assunção clara das suas responsabilidades para com os Açores, o país, a ilha Terceira e o concelho da Praia da Vitória, mas também temos de trabalhar para que da parte do Governo da República, do Estado português, melhor dizendo, exista a assunção clara da sua responsabilidade em relação àquilo que pode ser o resultado final deste processo", afirmou.

Segundo Vasco Cordeiro, é por isso que o PS, por iniciativa do deputado eleito pelos Açores Carlos Enes, vai apresentar na Assembleia da República, no âmbito do debate do Orçamento do Estado para 2014, uma proposta relacionada com "a necessidade de o Estado português criar um plano de revitalização económica para a base das Lajes cuja implementação deve decorrer em articulação com o Governo Regional".

"O Governo Regional não rejeita obviamente as suas responsabilidades de lidar com este assunto. A questão é saber se nós isentamos o Governo dos EUA e o Governo da República das suas responsabilidades", sublinhou.

Vasco Cordeiro voltou ainda a dizer que, segundo as informações de que dispõe, a questão das Lajes vai ser levada ao Senado dos EUA nas próximas semanas, no âmbito do debate do orçamento da Defesa para 2014.

"Independentemente do formato e linguagem exata, a questão da base das Lajes constitui motivo de atenção, digamos assim, da parte dos senadores com quem temos trabalho mais diretamente", referiu.

Na mesma entrevista, Vasco Cordeiro disse ainda estar confiante num acordo com o Governo de Lisboa em relação à alteração das obrigações de serviço público no transporte aéreo para os Açores. Os dois governos constituíram recentemente um grupo de trabalho para analisar uma proposta do Governo dos Açores sobre esta matéria, que deverá concluir a sua missão antes do final do ano.

"Segundo as informações que tenho da parte do senhor ministro da Economia há uma compreensão adequada e clara sobre aquilo que está em causa, sobre a importância que este assunto tem para a Região Autónoma dos Açores, para a acessibilidade à Região Autónoma dos Açores", afirmou.


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