A situação financeira dos municípios açorianos registou melhorias
significativas em 2025, com dois concelhos a abandonarem os cenários de
maior pressão financeira, revela o relatório “Evolução Orçamental da
Administração Local em 2025”, divulgado ontem pelo Conselho das Finanças
Públicas.
Entre os municípios açorianos, a Vila Franca do Campo
deixou de se encontrar em situação de rutura financeira, classificação
atribuída aos municípios cujo rácio da dívida total ultrapassa os 300%. O
rácio desceu de 304%, no final de 2024, para 262% em dezembro de 2025,
reduzindo o excesso de endividamento em cerca de dois milhões de euros.
Apesar da evolução positiva, o município continua acima do limite legal,
enquadrando-se no escalão entre 225% e 300%.
Por sua vez, a Praia da
Vitória regressou a uma situação regular de endividamento no final de
2025, deixando de ultrapassar o limite legal da dívida. Para esse
resultado contribuiu a internalização de dívida da Cooperativa Praia
Cultural, entidade participada pelo município. Na sequência de três
empréstimos, no valor global de 5,3 milhões de euros, contraídos em
2024, a autarquia assumiu diretamente passivos que até então estavam
registados na cooperativa. Esta operação permitiu reduzir o excesso de
endividamento em cerca de 13 milhões de euros e regularizar a situação
financeira do município, abrindo caminho ao encerramento do Programa de
Ajustamento Municipal (PAM), caso se confirme o cumprimento definitivo
dos limites legais.
Já o Nordeste permanece entre os municípios
portugueses que continuam acima do limite legal da dívida total, apesar
de ter reduzido o excesso de endividamento ao longo de 2025. O concelho
integra o grupo de autarquias com um rácio da dívida total entre 150% e
225%.
No conjunto do país, o Conselho das Finanças Públicas refere
que apenas sete dos 307 municípios analisados excedem os limites legais
de endividamento, enquanto os restantes 300 cumprem as regras previstas
na Lei das Finanças Locais.
Apesar de a dívida municipal total ter
aumentado 204 milhões de euros em 2025, o rácio da dívida diminuiu,
beneficiando do crescimento das receitas correntes das autarquias, que
foi “sustentado em parte pelo dinamismo do mercado imobiliário”.
Além
da evolução da dívida, três concelhos dos Açores destacam-se pela
rapidez nos prazos médios de pagamentos a fornecedores. No final de
2025, Corvo, Nordeste e Calheta figuravam entre os municípios
portugueses com prazo médio de pagamentos igual ou inferior a dois dias,
muito abaixo da média nacional, fixada em 22 dias.
Vila Franca do Campo deixa situação de rutura financeira
Município deixou situação de rutura financeira, enquanto a Praia da
Vitória voltou para situação regular, segundo Conselho das Finanças
Públicas
Autor: Filipe Torres
