Programa e-Escolas da PT vai colocar país à frente do resto de África


 

Lusa/AO online   Economia   22 de Set de 2008, 08:43

A criação do programa e-Escolas na Namíbia, por parte da Portugal Telecom, vai colocar este país à frente do resto de África nas tecnologias da informação, disse à Lusa Laurent Evrard, responsável do Politécnico da Namíbia.
 "Se for bem sucedido, o impacte do e-Escolas será enorme e a Namíbia passará a ser a nação mais avançada de África, provavelmente à frente da própria África do Sul", acredita o Director do Departamento de Informática do Politécnico da Namíbia, uma das duas instituições de ensino superior que existem neste país com 1,8 milhões de habitantes.

    Na semana passada, a MTC (operadora local controlada em 34 por cento pela Portugal Telecom) lançou um projecto inspirado no programa português e-Escolas, que consiste na venda de computadores portáteis ligados à Internet, a preços reduzidos, aos cerca de 25 mil estudantes do ensino superior da Namíbia.

    O objectivo é massificar o uso da banda larga móvel num país que, pelos padrões africanos, é já bastante avançado em termos tecnológicos.

    Com este objectivo, o Politécnico da Namíbia - que ministra os cursos de informática e de tecnologias existentes no país - está a trabalhar com a MTC com vista a definir as marcas e modelos dos computadores que serão distribuídos, bem como os programas serão instalado nos mesmos.

    "Se 20 ou 25 mil estudantes tiverem computadores portáteis ligados à Internet será uma verdadeira revolução na Namíbia", acrescentou Laurent Evrard, que, no entanto, considera que para o programa ser bem sucedido terão de ser praticados preços adequados ao poder de compra dos estudantes namibianos, os quais, acredita, estão "muito receptivos".

    Este francês engenheiro de sistemas, apaixonado por este país africano onde se radicou há vários anos e veio a constituir família, considera que a longo prazo poderá ser possível estender o programa às cerca de 500 mil crianças e adolescentes namibianas em idade escolar.

    O computador portátil Magalhães, de fabrico português, poderá dar um contributo para este desígnio. Na semana passada, foi assinado um protocolo entre a MTC e o governo da Namíbia que arrancou com um projecto piloto que contempla a distribuição gratuita de mil portáteis Magalhães pelas escolas do ensino básico namibianas. A longo prazo, o objectivo do governo e da MTC é estender o programa a todas as escolas do ensino básico e secundário.

    Mas para que isto seja possível, será necessário superar obstáculos como a falta de electricidade nas zonas rurais ou a inexistência de empresas que prestem assistência técnica aos proprietários dos computadores, bem como garantir que os portáteis distribuídos pela população estão devidamente protegidos contra vírus informáticos, nota Laurent Evrard.

    Além disso, acrescentou o responsável, será necessário garantir que os computadores distribuídos não vão para o mercado negro, em especial no Norte, junto à fronteira com Angola.

    "É muito fácil roubar um computador destes", disse Laurent Evrard, lembrando que junto à fronteira com Angola tem vindo a florescer o contrabando dos mais diversos produtos e equipamentos com destinos ao país vizinho.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.