Açoriano Oriental
Problemas das ilhas mais pequenas em debate no parlamento dos Açores

Os problemas das ilhas mais pequenas dos Açores voltaram a estar em discussão, na Assembleia Legislativa Regional, na sequência de duas declarações políticas apresentadas pelos deputados do PCP e do PPM.


Foto: Direitos Reservados
Autor: Lusa/AO Online

Na primeira declaração, o deputado único do PCP, João Paulo Corvelo, criticou as “desvantagens estruturais” que se vivem em algumas ilhas da região, que estão muito dependentes do investimento público em setores estratégicos para garantir o seu desenvolvimento, dando como exemplo o que se passa nas Flores.

“A tendência para o êxodo de algumas das nossas ilhas, somada ao envelhecimento populacional generalizado da Região, torna-se muito preocupante, sobretudo para quem lá ainda vive e trabalha”, lamentou o parlamentar comunista, defendendo a necessidade de medidas concretas para combater o “agravado despovoamento” que se verifica.

João Paulo Corvelo entende que este problema está relacionado com a falta de emprego ou de habitação para os jovens da ilha, lamentando que as poucas ofertas de emprego no setor público na ilha sejam preenchidas apenas por quem é militante socialista.

“Os florentinos percebem perfeitamente bem, que quando abre uma vaga para um emprego público na ilha das Flores, a maior parte dessas vagas já estão atribuídas para quem tem cartão cor-de-rosa. E os senhores sabem disso”, insistiu o deputado comunista, dirigindo-se à bancada da maioria socialista no parlamento açoriano.

As críticas do PCP geraram o protesto do líder parlamentar do PS, Francisco César, que recusa a ideia de que o Governo Regional favoreça os militantes socialistas em detrimento de candidatos a emprego que militem ou sejam simpatizantes de outros partidos.

“Com o PS não é admissível que alguém possa ser discriminado por ter um cartão do PS, ou de qualquer outra cor. Para nós é ponto assente. As pessoas devem entrar na Administração Pública pelo seu mérito e pelos resultados dos seus concursos”, sublinhou o deputado socialista.

A segunda declaração política foi apresentada por Paulo Estêvão, do PPM, que criticou a demora do Governo Regional em encontrar uma solução para o abastecimento de mercadorias para a ilha do Corvo, que não recebe navios desde 06 de dezembro, devido às más condições climatéricas.

“É preciso contratar a Força Aérea para que sejam feitas mais viagens de abastecimento”, insistiu o parlamentar monárquico, recordando que os navios fretados pelo Governo para a abastecer a mais pequena ilha do arquipélago, após os estragos provocados no porto das Lajes das Flores pelo furacão Lorenzo, “não conseguem fazer a ligação no inverno”.

Iasalde Nunes, deputado socialista também eleito pelo Corvo, lembrou que foi o mau tempo que impediu o transporte de mercadorias para a ilha, garantindo que o problema ficará ultrapassado já na próxima semana.

“Felizmente já existe uma data para esta viagem. Na segunda-feira, o 'Cecília A' seguirá para o Corvo e fará uma viagem Horta/Corvo, Corvo/Flores, Flores/Corvo, Corvo/Horta”, realçou o parlamentar socialista, afirmando esperar que o abastecimento àquela ilha venha a ficar normalizado com esta operação.

A secretária regional dos Transportes, Ana Cunha, explicou também no parlamento que durante este período de suspensão das ligações marítimas para o Corvo, a SATA conseguiu transportar, até 01 de janeiro, 6,5 toneladas de mercadorias para a mais pequena ilha dos Açores.

A bancada da maioria socialista, através da deputada Renata Botelho, apresentou também uma terceira declaração política na Assembleia Regional, para realçar todas as iniciativas que o seu partido e também o executivo regional já realizaram a favor do bem-estar animal nos Açores.

“Nenhum outro partido nesta câmara tem lutado como o PS por este desígnio, nem anseia mais do que nós o primordial objetivo de erradicar – definitiva e consistentemente – o abate de animais de companhia”, frisou a parlamentar socialista, lamentando que outras forças políticas, que “nunca pensaram seriamente neste assunto”, mostrem agora “um claro e despudorado aproveitamento da visibilidade e do mediatismo” que este tema tem gerado.


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