Portugal está a perder cidadãos nacionais e a atrair cada vez menos imigrantes

Portugal está a perder cidadãos nacionais e a atrair cada vez menos imigrantes

 

Lusa/AO online   Nacional   11 de Dez de 2013, 14:22

Portugal tem vindo a perder cidadãos nacionais para outras paragens e, simultaneamente, a atrair cada vez menos imigrantes, tendência que, não sendo nova, também não parece estar em vias de desaparecer.

A tendência de abandono – de nacionais e imigrantes – já foi reconhecida pelo próprio Governo, numa só frase, quando afirmou a intenção de captar “pessoas que ajudem a contrariar esta dinâmica de saída de jovens portugueses”.

Em concreto, o Executivo quer criar uma agência para atrair “quadros de empresas, estudantes, investigadores e investidores”. Esta “importação de cérebros” é uma resposta a duas tendências assinaladas em 2012 e que parecem ter vindo para ficar: mais nacionais estão a deixar Portugal e menos imigrantes estão a chegar.

De acordo com o último relatório do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), quase 20 mil imigrantes deixaram Portugal em 2012, o mesmo é dizer que a população estrangeira residente diminuiu 4,5 por cento. A 31 de dezembro de 2012, viviam em Portugal 417.042 imigrantes.

O SEF explica a diminuição da população estrangeira com três fatores: “a alteração dos fluxos migratórios, o regresso ao país de origem e a aquisição da nacionalidade portuguesa”.

Do total de imigrantes que saíram de Portugal quase seis mil são brasileiros, embora esta comunidade continue a ser a mais representativa, com mais de 100 mil cidadãos. A Ucrânia é a segunda comunidade estrangeira (44.074), seguida de Cabo Verde (42.857), Roménia (35.216), Angola (20.366) e Guiné-Bissau (17.759).

O número de imigrantes brasileiros em Portugal está a diminuir desde 2011, sobretudo devido ao bom momento económico do Brasil. Porém, já se está a verificar “o retorno dos retornados”, motivado pela desilusão do regresso às origens.

Segundo estimativas da Casa do Brasil, nos últimos dois anos, dez por cento da comunidade regressou ao país de origem, mas alguns não ficaram. “O Brasil está hoje muito caro, continua com problemas estruturais, como a insegurança”, justifica Carlos Vianna, presidente da associação.

Os brasileiros têm sido os maiores beneficiários do Programa de Retorno Voluntário (PRV), da Organização Internacional para as Migrações (OIM), que apoia os imigrantes que queiram regressar às origens.

De acordo com a OIM, 658 imigrantes foram apoiados pelo PRV até final de novembro, predominando os brasileiros (85 por cento). Por outro lado, os pedidos de apoio têm decrescido – de 2114 em 2011, para 1799 em 2012, para 991 até novembro de 2013 –, o que não quer dizer que não estejam a retornar por outras vias. Quase metade dos que têm pedido ajuda para voltar à origem está no desemprego.

Outra das tendências tem sido a saída de cidadãos nacionais, muitos dos quais jovens qualificados, na sequência da crise e do desemprego.

Segundo dados mundiais divulgados em outubro, quase milhão e meio de portugueses estão emigrados, dez por cento dos quais com educação superior, em países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE).

Estes números fazem de Portugal o segundo Estado-membro com maior taxa de emigração (14,2 por cento) no espaço da OCDE, só abaixo da Irlanda (16,1).

De acordo com o mais recente boletim do Banco de Portugal, de setembro, as remessas de portugueses no estrangeiro subiram 10,8 por cento.


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