Canadá ao lado da Gronelândia e da Dinamarca e contra tarifas dos EUA

O Canadá está ao lado da Gronelândia e da Dinamarca e opõe-se às tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos contra os países que se opõem aos planos de anexação da ilha



Numa intervenção no segundo dia da 56.ª edição do Fórum de Davos, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, sublinhou que “apoia totalmente” o direito exclusivo da Gronelândia e da Dinamarca de determinar o futuro da ilha no Ártico.

“O Canadá opõe-se veementemente às tarifas sobre a Gronelândia e apela para negociações específicas para alcançar os nossos objetivos comuns de segurança e prosperidade no Ártico”, disse.

O mundo está a sofrer “uma rutura” e não “uma transição”, com as grandes potências a usarem “a integração económica como arma”, considerou Carney, ao advertir que “a velha ordem [mundial] não vai voltar”.

“Não devemos lamentar isso. A nostalgia não é uma estratégia. Mas a partir da fratura, podemos construir algo melhor, mais forte e mais justo”, defendeu, garantindo que, pela sua parte, o Canadá está a “recalibrar as suas relações”.

Sem nunca se referir explicitamente aos Estados Unidos, o primeiro-ministro do Canadá – país que o Presidente norte-americano, Donald Trump, também já disse que gostaria que passasse a fazer parte dos Estados Unidos – advertiu que, “numa época de grande rivalidade entre as potências”, as “potências médias devem agir em conjunto”, pois se não estiverem à mesa das discussões estarão “no menu”.

A edição deste ano do Fórum de Davos, que junta anualmente as elites económica e política mundiais, decorre num contexto de grande instabilidade a nível global, e tem como figura de cartaz um dos principais protagonistas deste ambiente de tensões, Donald Trump, que regressa presencialmente a Davos seis anos depois, após ter marcado presença em 2020, durante o primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021).

A intervenção de Trump está marcada para o início da tarde de quarta-feira.

Trump tem ameaçado anexar a Gronelândia, território dinamarquês sob a égide da NATO, argumentando que a segurança e a vigilância da ilha ártica foram negligenciadas nos últimos anos e que o controlo desta poderia cair nas mãos da China ou da Rússia.

A tensão gerada na região pelas constantes ameaças de Trump levou vários países europeus aliados a enviar militares para a Gronelândia para a realização de exercícios militares.

Em resposta, no sábado, o Presidente norte-americano anunciou a imposição de taxas comerciais adicionais, a partir de fevereiro, sobre os produtos de oito nações europeias que se uniram em torno da Dinamarca, incluindo França, Reino Unido e Alemanha, que seriam aumentadas para 25% a partir de 01 de junho até que se chegue a um acordo para o controlo total da Gronelândia.


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