Em comunicado, a PSP adianta que o polícia detido pertence ao efetivo do Comando Distrital de Setúbal, aguardando a força de segurança a indicação dos crimes de que o suspeito está indiciado para desenvolver "os procedimentos disciplinares adequados e preventivos".
Fonte ligada à investigação disse por sua vez à Lusa que o outro dos dois elementos não civis detidos na operação "Irmandade" é um militar, sem especificar qual é o ramo a que este pertence.
Na nota, a PSP sublinha que, embora respeitando "o princípio da presunção da inocência", como instituição responsável pela defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, e pela proteção da comunidade, [...] repudia, de forma veemente, qualquer conduta, interna ou externa, que constitua uma violação flagrante desses princípios".
"Mesmo sendo difícil a prevenção de todas as situações desviantes, internamente tudo faremos para as impedir e para garantir o respeito pelos direitos fundamentais, com compromisso, confiança e proximidade com todos os cidadãos", garante a instituição liderada por Luís Carrilho.
Trinta e sete pessoas com "vastos antecedentes criminais" e "ligações a grupos de ódio internacionais" foram hoje detidas em todo o país na operação "Irmandade", no âmbito da qual foram ainda constituídos outros 15 arguidos e realizadas 65 buscas, anunciou a PJ em comunicado.
Os detidos, entre os 30 e os 54 anos, "adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes".
A organização, com estrutura hierárquica e distribuição de funções, é "responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de arma proibida", refere a PJ.
O grupo, identificado em conferência de imprensa pela PJ como 1143, terá como líder Mário Machado, conhecido neonazi que está a cumprir pena por crimes da mesma natureza e que daria as instruções a partir da cadeia.
