Portugal deve pôr contas em dia rapidamente, defende líder da ANMP

Portugal deve pôr contas em dia rapidamente, defende líder da ANMP

 

Lusa/AO Online   Nacional   18 de Out de 2013, 08:49

O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) defende que Portugal deve por as contas em dia rapidamente, apesar de admitir que, para atingir esse objetivo, "se calhar" optaria por medidas diferentes das tomadas pelo Governo.

 

Em entrevista à agência Lusa, Fernando Ruas (PSD) fez questão de frisar que tem “uma grande consideração (…), admiração, respeito e amizade” pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de quem foi mandatário nacional.

Na sua opinião, “um partido, uma família, uma instituição tem de ser de boas contas” e, por isso, disse ter ficado surpreendido por ouvir o antigo Presidente da República Mário Soares defender que Portugal não deve pagar a dívida à ‘troika’ de credores internacionais.

“Isso era o descrédito internacional”, sublinhou.

Questionado se, para cumprir os compromissos assumidos com a ‘troika’, tomaria as mesmas medidas deste Governo, Fernando Ruas respondeu: “se calhar, não”.

“Mas há uma coisa que eu teria tentado fazer como o primeiro-ministro: o objetivo final”, acrescentou.

Para o também presidente da Câmara de Viseu, se este tem de ser um caminho doloroso, “que seja doloroso rapidamente”, para que Portugal volte a ser dono do seu destino.

Sem querer exemplificar o que faria de maneira diferente do Governo, Fernando Ruas disse apenas que, quando Passos Coelho se reúne com os ministros, não se trata de um encontro de amigos, mas de “reuniões de trabalho profundas”.

“Os efeitos destas exigências que são feitas ao povo português não devem ser nada do agrado do primeiro-ministro. Aquilo que um governante mais quer, e este primeiro-ministro não será exceção, é ser amigo e tomar medidas que agradem às pessoas”, considerou.

No entanto, o autarca social-democrata lembrou que “a cartilha de Sá Carneiro ensina que primeiro está o país”.

“Custa-me muito também sofrer na pele, ver familiares, pensionistas, funcionários a sofrerem, mas pior era chegar daqui a um ou dois anos e não haver sequer país, não haver sequer dinheiro para pagar”, realçou.

Fernando Ruas criticou o PS por estar sempre contra as medidas tomadas pelo Governo, quando, segundo o autarca de Viseu, é o culpado pela situação do país.

“Nós podemos discordar de quem nos está a tirar do poço. Se calhar não está a utilizar melhor a corda, nem a forma de salvamento. Mas não podemos escamotear quem é que nos atirou para lá e quem é que pediu auxílio”, afirmou.

Na sua opinião, “quem conduziu o carro até esta situação foi o PS, portanto, tem no mínimo obrigação com os portugueses de ajudar a tirar (o país) desta situação”.

No que respeita ao relacionamento institucional da ANMP com os vários Governos, Fernando Ruas disse que “foi sempre bom”, apesar de “algumas fricções” geradas por entendimentos diferentes “em relação ao que é o conteúdo funcional de cada um dos patamares da administração”.

Segundo o autarca, estas situações aconteceram mais com os ministros das Finanças, que estavam “muitas vezes presos a exigências que lhes eram feitas”.

Tem, no entanto, a certeza de que “os Governos sempre reconheceram o papel determinante da ANMP”, sobretudo o atual.

“Ouvi várias vezes de membros responsáveis e até do primeiro-ministro que a situação de crise do país era bem mais complicada se não fosse a ação municipal”, contou, referindo-se, por exemplo, ao envolvimento das autarquias na vertente social.

Fernando Ruas explicou que, “neste momento, é possível dizer que os municípios passaram a ser superavitários”, uma vez que “há 14 meses consecutivos que transitam com lucro”.

“Isto é, se não fosse a ação dos municípios, o défice era maior. Nós já não contribuímos para o défice, antes pelo contrário, contribuímos para atenuar o défice”, frisou.

 



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