Índia

Pelo menos 60 cristãos mortos desde final de Agosto


 

Lusa/AOonline   Internacional   17 de Out de 2008, 16:26

A Conferência Episcopal da Índia afirmou que pelo menos 60 cristãos foram mortos desde o final de Agosto no leste do país, depois do assassínio de um fundamentalista religioso hindu.
Este balanço é quase o dobro do fornecido pelo governo, que indica 35 mortes - cristãos e hindus - no Estado de Orissa.

    "Condenamos as mortes de mais de 60 cristãos, os numerosos ataques e a violência que se mantém contra os cristãos que amam a paz", lê-se num comunicado da Conferência Episcopal em Nova Deli.

    Domingo, o Papa Bento XVI, que no início dos confrontos tinha criticado a Índia, apelou aos que "cometem actos de violência para que desistam e se juntem aos seus irmãos e irmãs no sentido de trabalhar em conjunto para uma civilização de amor".

    Reagindo aos comentários do Papa Bento XVI, o partido nacionalista hindu BJP (Bharatiya Janata Party, da oposição) lembrou que a "Índia é um país soberano".

    Os actos de violência remontam a 23 de Agosto último no distrito de Kandhamal com a morte a tiro de Laxamananda Saraswati, líder da formação Vishwa Hindu Parishad (Organização do Mundo Hindu).

    A polícia relacionou a morte de Saraswati com rebeldes maoístas, mas a comunidade hindu culpa os "cristãos".

    A violência provocou a fuga de dezenas de milhar de locais após o incêndio de meio milhar de casas e de dezenas de igrejas e paróquias.

    Em Setembro passado regressou a calma depois de o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, ter falado em "desgraça nacional" e colocar as autoridades de Orissa sob pressão.

    Em Orissa - onde o missionário cristão australiano Graham Staines e os seus dois filhos foram queimados em 1999 -, os radicais hindus fizeram campanha contra as conversões "forçadas" ao cristianismo de hindus.

    A Índia (1,1 mil milhões de habitantes - 80 por cento dos quais hindus, 13 por cento muçulmanos e apenas 2,4 por cento de cristãos) foi amplamente criticada pelo Vaticano e pela União Europeia.

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