Religião

Papa denuncia mortes de crianças e idosos associadas à feitiçaria

Papa denuncia mortes de crianças e idosos associadas à feitiçaria

 

Lusa/AO online   Internacional   29 de Out de 2011, 14:57

O papa Bento XVI denunciou hoje as mortes de crianças e idosos associadas à feitiçaria em determinadas regiões de África durante a três semanas da sua segunda viagem aquele continente.

"O coração dos batizados está por vezes dividido entre o cristianismo e as tradições africanas", disse Bento XVI a bispos de Angola e de S. Tomé e Príncipe durante a visita "ad limina", a tradicional visita que os bispos de determinado país efetuam cada cinco anos ao Vaticano. "Aflitos com os problemas da vida, não hesitamos em recorrer a práticas que são incompatíveis com o caminho de Cristo. Os abomináveis efeitos são a marginalização e mesmo a morte de crianças e de idosos condenados pelas falsas perceções da feitiçaria", acrescentou num discurso divulgado pela assessoria de imprensa da Santa Sé. "Lembrando que a vida humana é sagrada em todas a fases e situações, continuai caros bispos a elevar a voz a favor das vítimas da feitiçaria", prosseguiu o papa, exprimindo-se em português.  "Atendendo a que se trata de um problema regional, um esforço conjunto das comunidades religiosas contra esta calamidade será oportuno, procurando compreender o significado profundo destas práticas bem como os seus riscos pastorais e sociais para elaborar um métodos que permita a sua erradicação definitiva, em colaboração com os governos e a sociedade civil", estimou. O papa criticou também as uniões conjugais fora do matrimónio nos dois países lusófonos. Bento XVI afirmou que o primeiro dos "escolhos” onde “naufraga a vontade de muitos são tomenses e angolanos que aderiram a Cristo” é o “chamado ‘amigamento’, que contradiz o plano de Deus para a geração e a família humana”. “O reduzido número de matrimónios católicos, nas vossas comunidades, indica uma hipoteca que grava sobre a família, cujo valor insubstituível para a estabilidade do edifício social conhecemos”, acentuou o Papa. Depois de lembrar que a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé “escolheu o matrimónio e a família como prioridades”, Bento XVI vincou que o “amor esponsal” deve ser “único e indissolúvel”, sendo este um “tesouro precioso” que “deve ser salvaguardado, custe o que custar”. O papa recebeu os bispos angolanos e são tomenses a três semanas da sua segunda viagem ao continente africano, uma deslocação que levará Bento XVI ao Benin de 18 a 20 de novembro, para proferir uma "exortação apostólica" aos bispos do continente. Bento XVI visitou pela primeira vez o continente africano em março de 2009 quando se deslocou aos Camarões e a Angola, onde pediu aos católicos que trabalhassem na conversão dos seguidores da feitiçaria. Cerca de 55 por cento da população angolana é católica e 25 por cento refere crenças tradicionais e está referenciada no país a prática de sacrifícios humanos envolvendo crianças, por vezes acusadas de feitiçaria.


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