Açores entre as regiões com maior taxa de suspeitos por crimes de droga

Os Açores estão entre as regiões com maior taxa de suspeitos por tráfico de droga em Portugal, com 97 indivíduos identificados em 2024, ficando apenas atrás do distrito de Faro. Além disso, lidera também no número de condenados



Os Açores estão entre as regiões do país com o maior número de suspeitos por crimes relacionados com drogas. Em 2024, a polícia identificou 291 pessoas na região: 97 suspeitos apenas de tráfico e 194 suspeitos de tráfico e de consumo. Os dados constam do Relatório Anual 2024 - A  Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependência, do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências.

Quando se calcula a taxa para que se torne possível a comparação entre regiões, os Açores têm uma taxa de 177 suspeitos por 100 000 habitantes, ficando apenas atrás do distrito de Faro (210 por 100 000).

Entre os presumíveis traficantes, a taxa foi de 59 por 100 mil habitantes (97 pessoas), e novamente só atrás de Faro. Entre os que traficam e também consomem, a taxa foi de 118 por 100 000 habitantes (194 pessoas), também a segunda mais alta do país.

No que diz respeito às condenações, os Açores registaram 62 pessoas condenadas, correspondendo a uma taxa de 38 por 100 000 habitantes, a mais alta do país, ultrapassando Faro e todas as outras regiões.

Quanto às substâncias envolvidas, entre os suspeitos que possuíam apenas cocaína, os Açores têm 22%, seguindo-se Lisboa, Porto e Faro. Entre os traficantes com apenas canábis, os Açores registaram 66% dos casos. Nas situações em que o traficante tinha apenas heroína, os Açores lideram com 15%, a percentagem mais alta do país. 

Os dados divulgados demonstram que os Açores têm uma das maiores taxas de suspeitos e condenações de droga por habitante em Portugal, com um padrão que incide em substâncias como canábis, cocaína e heroína.

Relativamente ao contexto nacional, em 2024 foram registados 930 processos-crime concluídos que envolveram 1450 indivíduos, na sua grande maioria (98%) acusados de tráfico de droga. Do total, cerca de 80% foram condenados, 14% absolvidos, 3% tiveram o procedimento criminal extinto e 2% foram amnistiados.

Região registou 10 mortes relacionadas com drogas em 2023

Os Açores registaram 10 mortes relacionadas com o consumo de droga em 2023, num ano em que Portugal atingiu o número mais elevado da última década, com 105 óbitos no total. Os dados constam do Relatório Anual 2024 - A  Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependência, do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências.

O estudo mostra uma tendência para o aumento nos últimos cinco anos: 81 mortes em 2021, 96 em 22 e 105 em 2023.

Uma parte significativa destas mortes foi causada por overdose, que vitimou 27 pessoas em 2023, mais do que nos anos anteriores (18 em 2021 e 18 em 2022). A idade média das vítimas era de 48 anos.

Entre as substâncias mais presentes nas overdoses destacam-se a cocaína, os opiáceos como heroína e a metadona. A grande maioria dos casos envolveu mais do que uma substância, o chamado policonsumo, que inclui benzodiazepinas e álcool. Nos últimos anos, a cocaína tem ultrapassado os opiáceos nas overdoses, o que mostra uma mudança nos padrões de consumo.

Açorianos consomem drogas de maior risco

Entre 2021 e 2024, os Açores registaram uma das menores prevalências no consumo de drogas entre os 15 e os 74 anos,  ainda assim, a região está à frente no consumo de algumas substâncias de maior risco, como opiáceos, anfetaminas/metanfetaminas, alucinogénios, cocaína e novas substâncias psicoativas, com consumos superiores a todas as regiões do país.

A canábis continua a ser a droga mais consumida, mas em comparação com outras regiões do país, os Açores registam menor prevalência no consumo. Os dados constam do Relatório Anual 2024 - A  Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependência, do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências.

Além disso, o estudo indica ainda que houve um aumento do consumo de drogas compradas pela internet, como canábis, ecstasy, anfetaminas e novas substâncias psicoativas.



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