“Se o handling não for privatizado, teremos de devolver auxílios de Estado”

Tiago Santos, CEO da SATA Holding, lembrou que o plano de reestruturação é uma imposição da Comissão Europeia para o cumprimento do plano de reestruturação da companhia aérea



“Se o serviço de handling não for privatizado, teremos de devolver o auxílio de Estado”, afirmou o CEO da SATA Holding, Tiago Santos, durante a audição na Comissão de Economia ao processo de separação e privatização do serviço de assistência em escala.

Questionado pelo deputado do PS/Açores, Carlos Silva, sobre o que poderá acontecer se o processo de alienação do serviço de handling não se concretizar, o responsável máximo da companhia aérea açoriana lembrou que a cisão do serviço, criação de uma empresa autónoma e posterior privatização a 100% é uma condição imposta pela Comissão Europeia que consta no plano de reestruturação.

“A privatização da SATA Handling não tem a ver se dá lucro ou prejuízo, ou algum regulamento que a impeça. É uma imposição da Comissão Europeia. O plano de reestruturação obriga a alienar os dois ativos que tem. A privatização da Azores Airlines é tão fundamental no cumprimento do plano como a privatização do handling. Se não for privatizada, vamos ter de devolver os auxílios de Estado que recebemos e salvaram o Grupo SATA”, referindo-se aos 453,25 milhões de euros aprovados em 2022 para garantir a viabilidade da empresa.

Inquirido se foi equacionada a eliminação da privatização do handling aquando foi negociado o prolongamento do prazo de execução do plano de reestruturação, Tiago Santos diz que seria “utópico, quando não cumprimos duas medidas impostas, acharmos que era um momento certo para renegociar as medidas. Ter a extensão do prazo não foi fácil e tem como objetivo conseguir aquilo que não se conseguiu até final de 2025. Tivemos de convencer a União Europeia que seríamos capazes de executar o plano”.

Sobre o processo de cisão e privatização do serviço de handling da SATA, Tiago Santos revelou que, quando o anterior conselho de administração entrou, “não estava nada feito”.
“Iniciamos um processo, interno e externo, sobre o que era preciso fazer para iniciar o processo, identificando ao detalhe todos os ativos, equipamentos pessoas do serviço de assistência em escala. Foi um trabalho intenso e profundo”.

Ao todo, o serviço de handling da SATA tem mais de 600 pessoas, números a 31 de dezembro de 2025, e que, na voz do CEO da SATA, “prestam um serviço dos melhores do mundo, não só por nós, como de outras companhias, como as norte-americanas”.

Sobre os custos do handling, o responsável da SATA, indica que os recursos humanos significam 25 milhões de euros.

Tiago Santos rejeita que o processo de cisão tenha sido feito às escondidas, afirmando que “o modelo foi partilhado, quando havia modelo a partilhar” e que envolveu todos os intervenientes.

Quanto ao processo de privatização, encontra-se numa fase de maturação do modelo de privatização, “para depois levar ao Governo Regional dos Açores e receber as orientações devidas”.

Questionado se o modelo de privatização terá algum “travão” a despedimentos de pessoal, Tiago Santos diz está a prever incluir um requisito que impeça a extinção de postos de trabalho ou de despedimentos coletivos, à semelhança do que aconteceu com a privatização da Azores Airlines. 

“Eventualmente, até ir mais além, pois na Azores Airlines somos vendedores, ponto. Na SATA Handling somos vendedores e clientes. Por esta particularidade, há, de facto, razões termos um modelo de privatização robusto”.

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