Modular pode vir a ser usado como zona de ambulatório no futuro

Antares já recebeu instruções para rever o programa funcional do futuro HDES. Novos edifícios previstos para terrenos a expropriar terão agora de ser projetados para a área sul do terreno atual e está a ser ponderada a utilização do modular como zona de ambulatório. Empresa terá de considerar propostas de melhoria feitas pelos serviços, mas número final de camas e de gabinetes está ainda em aberto, tal como a externalização da Hemodiálise.



O Governo Regional já deu instruções à Antares Consulting, Consultoria de Gestão, Lda.,para refazer o programa funcional do “futuro” Hospital Divino Espírito Santo (HDES), de preferência até ao fim do primeiro semestre deste ano.

A empresa especializada na área da saúde que elaborou o programa funcional escolhido pela maioria dos diretores dos Serviços Clínicos como o que se adaptava melhor às necessidades de um hospital projetado a 25 anos, terá agora de incluir a estrutura modular no programa e deixar cair a implantação de uma nova área multiúsos e de um estacionamento com 440 lugares em terrenos adjacentes ao atual perímetro hospitalar (atrás do Centro Joaquim Chaves), de modo a respeitar as instruções do Governo Regional e a própria recomendação feita pela Comissão de Análise ao programa funcional do HDES nesse sentido.

O executivo pretende que se utilize o atual terreno disponível, de modo a evitar um processo de expropriações, e que se inclua a estrutura modular (cujo período de vida útil é de 25 anos) no projeto final, mantendo-se as áreas de ampliação que já estavam previstas no programa funcional apreciado pelos diretores de serviços do HDES, conselho de administração e Comissão de Análise dos Programas Funcionais do HDES, nomeadamente o novo corpo assistencial e o novo corpo de urgência e Unidade de Cuidados Intensivos (UCI).

No que se refere às valências previstas na área multiúsos pela Antares, como a área de formação e investigação (que a Comissão de Análise pretende que seja projetada como hospital universitário), creche, cozinha, logística, entre outras, terão de ser alvo de uma outra solução dentro perímetro atual do hospital, o que pode passar pela utilização da parte sul do terreno ainda desocupada.

Já no que se refere à estrutura modular, o que está a ser avaliado é que possa ser usada como área de ambulatório. Mas este é um aspeto que está em aberto, tal como o número final de camas e de gabinetes de consulta (e quanto a este último terá de se ter em conta o espaço disponível e as dimensões mínimas legais dos gabinetes).

Para a Comissão de Análise, as áreas previstas no programa da Antares tanto para ambulatório, como internamento são insuficientes.

Esta comissão alerta que, apesar do aumento entre 2019 e 2023 do número de consultas médicas (12,6%) e as consultas de enfermagem (160,9%), as listas de espera para diversas consultas ultrapassam o Tempo Máximo de Resposta Garantido, sendo por isso necessário aumentar a atividade assistencial e o quadro de pessoal (considerando-se que a criação de um Hospital Universitário pode ser um fator de atração de novos profissionais).

Assim, no âmbito da consulta na área polivalente, o programa funcional da Antares previa 55 gabinetes de consulta (atualmente existem 50), um número que a Comissão de Análise considerou insuficiente, sugerindo que sejam previstos 85 (não considerando os espaços de consulta que se localizam de forma autónoma em alguns serviços) e reforço proporcional do número de gabinetes de exames e salas de apoio, fazendo ainda a sugestão de que deve ser garantida “alguma flexibilidade espacial, permitindo a capacidade de conversão de gabinetes de exames em gabinetes de consulta e vice-versa, conforme evolução da prática clínica”.

Propõe também que, para o Hospital de Dia Polivalente, se aumente de 17 para 25 boxes e de dois para quatro gabinetes de consulta e avaliação do doente no pós-tratamento.

Já no que se refere ao número de camas, a Comissão de Análise - que teve em conta mais uma vez os pareceres dos diretores dos vários serviços do HDES - propõe o aumento de 468 para 600 camas na capacidade de internamento do HDES, ressalvando que poderão não ser todas utilizadas à altura da abertura do futuro hospital, mas que devem estar previstas como reserva, em espaço devidamente infraestruturado, para a sua abertura progressiva e quando necessária. Ao relatório da Comissão é anexado um documento com a justificação técnica para o reforço da capacidade de internamento do HDES.

Ao que nos foi possível apurar, o executivo considera que no projeto do futuro hospital deverá ser tido em conta os investimentos previstos em São Miguel, nomeadamente a construção do novo centro de Saúde na Ribeira Grande que depois de concluído vai libertar o atual edifício de outras valências, permitindo reforçar a capacidade da enfermaria de retaguarda do hospital que ali funciona atualmente.

De salientar, que incluídas no parecer da Comissão de Análise estão as sugestões de alteração feitas por cada Serviço do Hospital Divino Espírito Santo que a Antares terá agora de levar em consideração nesta fase de revisão do programa funcional. Todos os serviços clínicos e não clínicos, identificaram necessidades de melhoria e correções às soluções apresentadas pelo programa funcional.

Um destes serviços é o Serviço de Nefrologia, responsável pela Unidade de Hemodiálise, que defende claramente a sua externalização, mas que coloca as duas hipóteses no seu parecer: considerando a externalização da Hemodiálise, prevê que sejam necessários 15 postos (oito para doentes crónicos; quatro para doentes infetados e três para doentes agudos); e, não considerando a externalização da Hemodiálise, 35 postos, com área de reserva para crescimento futuro.

Ora, o que foi recomendado à Antares é que preveja a capacidade para a Hemodiálise sem externalização, o que não invalida que parte dessa capacidade venha a ser alvo de externalização no futuro - questão que o governo regional deixa em aberto, até porque, ao que apurou o Açoriano Oriental, o executivo pretende analisar os custos que a privatização teria para o orçamento regional. De sublinhar que existirá sempre Hemodiálise no HDES, mesmo que seja feita a opção de externalização.

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