Pai Natal escapa da crise no Brasil e a previsão é de aumento do comércio


 

Lusa / AO online   Economia   21 de Dez de 2008, 13:09

A crise financeira internacional, que avança rapidamente para a economia real, não vai, no entanto, atingir o trenó do Pai Natal no Brasil este ano, garantem os lojistas e as associações comerciais do país.
    Segundo o Sindicato dos Lojistas de São Paulo, é ainda cedo para haver um impacto no comércio, ao contrário do que ocorre com a indústria brasileira, que já sente os reflexos da crise.

    Este sindicato admitiu, no entanto, à Lusa que os consumidores estão mais cautelosos, o que faz recuar as vendas a prazo e aumentar as compras à vista.

    A funcionária pública Janete Silva, 49 anos, faz parte deste grupo de consumidores que não quer contrair dívidas para 2009.

    "Eu vou comprar normalmente os meus presentes de Natal, mas vou pagar tudo à vista. Fazer dívidas agora é um grande risco", afirmou à Lusa a funcionária enquanto fazia compras numa loja em Brasília.

    O dono de uma loja de utilidades e brinquedos, Ciro Nakanishi, de 63 anos, garantiu que a crise não vai prejudicar este Natal e prevê um crescimento de 15 por cento nas suas vendas, em relação ao mesmo período no ano passado.

    O comerciante brasileiro disse à Lusa que, pela sua experiência, a melhor forma de enfrentar a crise é "cortar a letra s" da palavra.

    "Crie. Este deve ser o lema de quem está no comércio. Eu já tenho novas ideias para o ano que vem, vou explorar outro segmento", salientou.

    Nakanishi lamentou, contudo, que haja muitos fornecedores a aproveitarem-se da alta do dólar para oferecer mercadorias a um preço mais elevado.

    "Eu dei uma freada (paragem) nas compras por causa da alta do dólar, mas estou garantido porque tenho stock", explicou.

    O armazenamento, que permitiu aos lojistas ter produtos comprados antes da escalada na cotação do dólar no Brasil, é uma das explicações para as estimativas das associações do sector de aumento nas vendas de até 10 por cento face ao ano anterior.

    No Distrito Federal, o comércio deve registar um crescimento de cinco por cento neste Natal, em comparação com Dezembro do ano passado, segundo as previsões da Associação Comercial do DF (ACDF).

    "O comércio só vai sentir a crise a partir do próximo ano. Além disso, o brasileiro já está acostumado com crises e não vai deixar de ir às compras nem de viajar nas férias", assegurou hoje à Lusa a presidente da ACDF, Danielle Moreira.

    Não é o caso da empregada doméstica Joselita Santos, de 24 anos, que queria comprar agora uma máquina de lavar roupa e um fogão.

    Joselita disse à Lusa que iria usar parte do dinheiro do 13º mês e das férias como entrada e que financiaria o restante ao longo de 2009.

    "Mas de tanto a minha patroa falar na minha cabeça, eu desisti de comprar e vou guardar o dinheiro. Tenho medo que o meu marido, que trabalha na construção civil, perca o emprego. Depois, o que adianta ter um fogão novo e não ter a comida para dar para os filhos?", questionou.

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