"Pacto de silêncio" do Benfica antecede reunião órgãos sociais


 

Lusa/Ao online   Futebol   20 de Nov de 2007, 08:59

Os órgãos sociais do Benfica reúnem-se quinta-feira para "uma reflexão sobre o clube", num encontro antecedido por um "pacto de silêncio" entre dirigentes, depois de declarações públicas a questionar o "benfiquismo" de alguns responsáveis "encarnados".
O plenário dos órgãos sociais do clube integra a Direcção, o Conselho Fiscal e a Mesa da Assembleia Geral (AG) e não tem carácter deliberativo.

    Tanto o presidente da Assembleia Geral do clube, Manuel Vilarinho, como o seu vice-presidente Tinoco Faria, contactados pela Agência Lusa, escusaram-se a falar acerca do que esperam que venha a acontecer na reunião de reflexão da próxima quinta-feira, tendo mesmo o ex-presidente do clube da Luz esclarecido que, por ele, "ninguém ficará a saber o que se vai dizer lá dentro".

    "Trata-se de assuntos internos do clube, que têm de ser debatidos nos locais próprios e não na praça pública. Não digo, nem direi uma única palavra acerca dessa reunião. E espero que os restantes membros dos órgãos sociais do clube mantenham a mesma postura, aliás, como lhes pedi", disse Manuel Vilarinho.

    Adiantou apenas que a ordem de trabalhos do "órgão de reflexão do Benfica" será sempre a mesma, enquanto estiver investido das actuais funções: "A situação do clube".

    A reunião dos órgãos sociais - que estatutariamente deve acontecer a cada três meses - foi convocada a título extraordinário pelo presidente do clube, Luís Filipe Vieira (também a podem solicitar a Direcção e o presidente do Conselho Fiscal).

    Em entrevista ao Diário de Notícias no passado dia 11, Luís Filipe Vieira admitiu, numa antevisão do que pode ser escutado na reunião de quinta-feira, que "existem na realidade situações que têm de ser devidamente clarificadas" no clube, embora tenha reafirmado que "não gostaria de comentar nada dos órgãos sociais do Benfica na praça pública".

    Uma das polémicas que têm atingido o clube da Luz surgiu na sequência da demissão do presidente do Conselho Jurídico do clube, Andrade e Sousa, e de declarações do vice-presidente da AG Tinoco Faria à rádio Antena 1, a 02 deste mês, a lamentar a "saída de benfiquistas do clube".

    Andrade e Sousa foi demitido de responsável pelo gabinete jurídico do Benfica depois de uma polémica em torno de um email que, segundo o próprio, se destinava a um amigo, mas, inadvertidamente, foi parar às mãos de um assessor do administrador executivo da SAD, Domingos Soares Oliveira, precisamente a pessoa visada na mensagem.

    A saída de Andrade e Sousa do clube mereceu palavras de solidariedade e reconhecimento pelo seu trabalho, vindas de Tinoco Faria.

    "É com muito amargo de boca que vejo a saída do Dr. Andrade e Sousa. No Benfica existem duas palavras muito em voga: uma é o profissionalismo, onde parece que a condição integrante é não ser do Benfica, e a outra a solidariedade, que muitas vezes é confundida com unanimismo", referiu então Tinoco Faria.

    Nesse mesmo dia, no centro de estágio do Seixal e em declarações aos jornalistas, Luís Filipe Vieira acusou o vice-presidente da AG Tinoco Faria de "não ter obra feita" no Benfica: "Não podemos confundir trabalho com palavras, nós no Benfica temos obra feita e olho para todos os lados e não sei onde está o trabalho dele".

    Também o vice-presidente do Benfica Rui Cunha se mostrou insatisfeito pela decisão de Tinoco Faria em falar à comunicação social, lamentando que "não o tenha feito nos lugares próprios".

    "Tivemos um plenário dos órgãos sociais onde foi debatida a saída do responsável pelo departamento jurídico. Tinoco Faria deveria ter interesse em ter alguém no departamento, mas isso discute-se nos órgãos sociais", comentou Rui Cunha em declarações aos jornalistas, no Seixal.

    O vice-presidente acusou Tinoco Faria de usar os serviços do Benfica em benefício próprio: "Não somos nós que somos advogados de empresas que são fornecedores de serviços ao Benfica, nem temos contas de honorários de escritórios. Ele comprometeu-se a fazer uma revisão de estatutos, mas nada fez".

    Ao DN, o presidente dos "encarnados" disse desconhecer as ligações de Tinoco Faria à empresa TBZ, com quem o Benfica tem negócios e, sobre a presença de "não benfiquistas" em cargos de responsabilidade no clube, limitou-se a afirmar: "Já houve outras pessoas que foram admitidas. Algumas eram do Benfica, outras não eram. Aquilo que peço é competência. Não estou preocupado se são do Benfica ou se são do Sporting. Os profissionais que vêm para o Benfica são avaliados pela competência".

    Ainda na sequência da polémica acerca das declarações de Tinoco Faria, Rui Cunha sugeriu a sua demissão, afirmando: "As pessoas no Benfica demitem-se por vontade própria, mas, se calhar, não seria mal pensado uma reflexão nesse sentido. Quem nada fez pelo clube nos últimos tempos não conta e se for uma pessoa inteligente chega a essa conclusão por sua iniciativa".

    Tinoco Faria não perdeu tempo a responder e, em declarações à Antena 1, rejeitou a hipótese de se demitir, afirmando que sairá do Benfica "quando entender".

    "Reconheço o trabalho de Luís Filipe Vieira em prol do Benfica, mas isso não significa que esteja de acordo com todas as decisões ou que não possa demonstrar a minha solidariedade para com Andrade e Sousa", afirmou.

   
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