Açoriano Oriental
Entrevista
"Os dois deputados comunistas trabalharam mais que os açorianos"
Carlos Ribeiro, docente do Departamento de Biologia da Universidade dos Açores, apresenta-se ao eleitorado no 13º lugar da lista da CDU- Coligação Democrática Unitária PCP-PEV para as eleições europeias. Apela ao voto, lembrando o trabalho dos actuais deputados  da CDU a favor dos Açores.
"Os dois deputados comunistas trabalharam mais que os açorianos"

Autor: Paula Gouveia

O PCP é acusado de não ser um partido europeísta e a CDU afirma ter uma concepção da Europa de ruptura com o actual modelo de integração europeia. Pergunto-lhe em que difere a concepção da Europa da CDU à de outros partidos?


A CDU não é contra a Europa. Somos contra a Europa dos monopólios e do capital financeiro que conduziu a esta crise. A CDU e os deputados na Assembleia da República e no Parlamento Europeu têm, há mais de dez anos, chamado a atenção para o deslizar consecutivo do aparelho político que fica submetido ao aparelho económico e financeiro.


É importante que os portugueses pensem nestas coisas: Portugal tem onze milhões de habitantes e uma superfície de 98 mil quilómetros quadrados. Não somos um pequeno país. É mentira! Somos o décimo país europeu, em grandeza de população e de superfície, e temos 24 deputados europeus. Somos um grande país, com uma grande zona económica exclusiva - um grande mar que, pelo Tratado de Lisboa, é da exclusiva competência da União Europeia. Estamos contra o modo como nos encontramos em subserviência absoluta, como pedintes à porta da Europa... a pedir dinheiro. Isto é indigno de um povo!


Queremos a Europa dos cidadãos, a Europa dos povos, da dignidade dos trabalhadores, da independência, do respeito por cada cultura e pela diversidade. É isto que pedimos.


E depois que não destruam o nosso aparelho produtivo, tanto nas pescas, como na indústria, na agricultura, nos serviços, porque é isto que está a acontecer! Nós andamos anos a fio a receber um milhão de euros por dia e esse milhão foi enfiado em cimento e alcatrão. Não vimos a nossa frota pesqueira aumentar, nem a defesa do mar. Não vimos a formação profissional para a agricultura, para a indústria, para as pescas - tudo o que desse capacidade de produção acrescentada aos trabalhadores portugueses e às empresas portuguesas. Nós vimos um desbaratar imenso de dinheiro.


Os partidos políticos do Bloco Central dependem do sistema financeiro e estão a eles rendidos. Os nossos políticos, de alguma maneira vendem-se, e depois a única coisa que fazem é dar dinheiro ao sistema financeiro que não é produtivo.

Os bancos não produzem riqueza. Quem produz riqueza é o trabalho. Esta crise acontece porque os partidos do Bloco Central, aqui e na Europa, têm políticas contra o trabalho, contra a produção, contra a dignidade das empresas que querem produzir.


Qual é o projecto da CDU para a Europa?


O projecto da CDU para a Europa é um projecto não federalista e não agressor em termos de incursão armada noutros países. É um projecto que objectiva caminhos para a dignidade dos povos, para a produção aumentada, mas controlada. E procura não deixar que os lóbis tomem conta... Nesta legislatura, são 785 deputados europeus, a estrutura de trabalho da UE contempla 26 mil funcionários e depois temos registados 15 mil lobistas que fazem o lóbi que, segundo o diccionário é uma acção de convencimento corrupto das pessoas que estão a governar. Os lóbis estão instalados e indicam à Comissão Europeia e aos deputados da maioria o que fazer.


Nós temos dois deputados no Parlamento Europeu que fizeram um trabalho hercúleo, até para os Açores! Os dois deputados comunistas trabalharam mais do que os dois deputados ditos açorianos.

 

Leia esta entrevista na integra no Açoriano Oriental de segunda-feira, dia 25 de Maio de 2009.

 
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