Oposição teme pelo futuro da SATA e PS pede "tempo" para a empresa

Oposição teme pelo futuro da SATA e PS pede "tempo" para a empresa

 

Lusa/AO online   Regional   5 de Jul de 2019, 14:53

A oposição no parlamento dos Açores mostrou-se receosa pelo futuro da transportadora SATA, após conhecidos os prejuízos até março, mas o PS, que apoia o executivo, pediu "tempo" e uma análise à empresa no fim do ano.

O grupo formado pelas transportadoras Azores Airlines e SATA Air Açores registou prejuízos de 20,84 milhões de euros nos primeiros três meses do ano, segundo documentos oficiais a que a agência Lusa teve acesso na quinta-feira.

Para o líder do CDS na região, Artur Lima, os números apontam uma "incapacidade" da administração da empresa em "fazer o que quer que seja" para mudar o rumo da SATA.

Artur Lima, que falava aos jornalistas à margem do plenário do parlamento dos Açores, na Horta, declarou ainda que, "por este caminho, com certeza" que os prejuízos em 2019 serão maiores que no ano passado, pelo que o centrista teme que o avançar das perdas represente "o fim da SATA".

O PSD tinha enviado de manhã um comunicado à imprensa sobre os números conhecidos na noite de quinta-feira e definindo-os como "perturbadores" e contrários às "fantasias” do presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, sobre a companhia.

O PPM, representado no hemiciclo açoriano pelo deputado Paulo Estêvão, defende que estes "péssimos indicadores" demonstram que "o planeamento está a falhar novamente".

"O Governo Regional não pode novamente dizer que para o ano será melhor e tem de reformular a sua análise do ponto de vista político", declarou o parlamentar.

À esquerda, o líder bloquista nos Açores, António Lima, diz ser "quase impossível" que os objetivos definidos para 2019 - de reduzir em metade os prejuízos do grupo - sejam atingidos, e o deputado mostrou-se ainda preocupado com o agravar dos resultados da SATA Air Açores, que gere a operação nas nove ilhas do arquipélago.

"A SATA Air Açores não poderia ter o prejuízo que tem e isso deve-se muito aos encaminhamentos que faz sem que esteja a ser devidamente compensada por isso", vincou.

O PCP, pelo deputado único do partido na Assembleia Legislativa dos Açores, João Paulo Corvelo, lembrou que SATA é "estruturante" para a região e temeu pelo anunciado processo de privatização de 49% da Azores Airlines, que opera de e para fora dos Açores.

O comunista lamentou ainda que este mês o vencimento dos trabalhadores da SATA tenha sido transferido em duas parcelas, em dois dias diferentes, dizendo que tal "é grave" e demonstrativo de que "são sempre os mesmos a pagar, são os que trabalham e prestam um grande serviço à companhia aérea e aos açorianos".

O PS, que suporta na assembleia regional o Governo dos Açores, diz, por seu turno, que "é preciso dar tempo" à administração da empresa, sendo que o partido está a "acompanhar de perto esta situação" e a "registar as reformas que estão a ser feitas e as que faltam fazer".

"Temos a certeza que a administração do grupo SATA tem perfeita consciência da responsabilidade que tem", prosseguiu o deputado socialista José San-Bento, lembrando ainda que o trimestre entre janeiro e março é o pior da aviação civil e a análise às contas da empresa "deve ser feita no final do ano".

De acordo com informações enviadas pelo Governo Regional à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), e às quais a agência Lusa teve acesso na quinta-feira, a Azores Airlines, que engloba as operações da companhia aérea para fora dos Açores, teve um prejuízo de 16,85 milhões de euros entre janeiro e março, ao passo que a SATA Air Açores, que opera na região, teve 3,99 milhões de euros de prejuízo.

Ambos os resultados indicam um maior prejuízo na comparação com o período homólogo: na Azores Airlines as perdas reportadas no primeiro trimestre de 2018 foram de 14,5 milhões de euros, e na SATA Air Açores o resultado líquido negativo foi então de 708 mil euros.

O grupo SATA tinha fechado 2018 com um prejuízo de 53,3 milhões de euros, um agravamento de 12,3 milhões face ao ano de 2017.

Em abril, na apresentação dos resultados de 2018, o presidente do grupo SATA, António Teixeira, tinha dito querer até final do ano reduzir em metade os prejuízos da transportadora aérea.


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