Açoriano Oriental
Covid-19
OMS lamenta que barreira do meio milhão de infetados tenha sido ultrapassada

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, lamentou que o mundo tenha ultrapassado meio milhão de casos de covid-19 e disse que pandemia está a evoluir e a chegar a mais países.

OMS lamenta que barreira do meio milhão de infetados tenha sido ultrapassada

Autor: Lusa/AO Online

Em conferência de imprensa a partir da sede da OMS, em Genebra, transmitida 'online', Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou para os "números trágicos", que indicam que já morreram mais de 20 mil pessoas.

Por outro lado, o responsável disse que já recuperaram da doença mais de 100 mil pessoas.

Afirmando que já falou com os líderes dos países mais desenvolvidos do mundo (G20), no sentido de ajudarem na luta contra a doença, que só pode ser vencida com a solidariedade e cooperação de todos, Ghebreyesus reiterou a necessidade de isolamento dos doentes e de afastamento social e alertou para o uso de medicamentos para combater a doença não apropriados.

"Temos que seguir as provas e não ir por atalhos", alertou.

No contacto com os líderes do G20, na quinta-feira, o responsável da OMS apelou para a luta para conter o vírus através de todos os meios disponíveis e de forma unida, uma luta da humanidade contra um inimigo comum, explicou na conferência de imprensa, acrescentando que nenhum país pode lutar contra o vírus sozinho.

Aos países pediu também empenho na produção e distribuição de meios de proteção necessários “para salvar vidas”.

Tedros Adhanom Ghebreyesus disse que hoje mesmo se reuniu (‘online’) com ministros da Saúde de vários países, entre eles a China, o Japão, a Coreia do Sul ou Singapura, e além de reafirmada a necessidade de isolar os casos confirmados, ou identificar e colocar de quarentena os seus contactos, falou-se da escassez de meios de proteção para os profissionais de saúde.

A falta de equipamentos, alertou, é uma ameaça para a luta contra a doença. “Quando os profissionais de saúde estão em risco todos nós estamos em risco”, advertiu, acrescentando que os trabalhadores da saúde nos países menos desenvolvidos merecem a mesma proteção que os dos países mais ricos.

“Este problema só se resolve com a cooperação internacional e a solidariedade internacional”, disse, explicando que a OMS enviou quase dois milhões de equipamentos de proteção para 74 países e que vai enviar idênticas quantidades para outros 60 países.

Ao mesmo tempo que pedia união de esforços para responder à “necessidade urgente” de encontrar um medicamento eficaz, porque uma vacina só dentro de um ano a ano e meio, estimou, alertou para o incorreto uso de medicamentos, na luta contra a doença, que ainda não deram provas de funcionar.

O responsável congratulou-se ainda com a iniciativa da Noruega e de Espanha de ensaios com quatro drogas diferentes ou combinação de drogas, um estudo conjunto que envolve 45 países.

E pedindo para que não se estigmatize os países com maiores taxas de infeção, Tedros Adhanom Ghebreyesus deixou uma mensagem: “Precisamos de estar calmos, unidos e trabalhar em conjunto”.

Na conferência de imprensa falaram também o diretor executivo para as emergências sanitárias, Mike Ryan, e Maria Van Kerkhove, da unidade de doenças emergentes.

Ambos reafirmaram a necessidade de distanciamento social para combater a pandemia, com o primeiro a admitir que não se sabe quanto tempo esta poderá durar, porque tem evoluções diferentes nos vários países, e alertaram que a doença afeta muitas pessoas de forma grave e que “não é uma constipação”.

Maria Van Kerkhove assinalou que já há casos de crianças que morreram devido à covid-19 e salientou que os jovens “não são invencíveis”, e que mesmo que tenham covid-19 de forma leve podem sempre transmiti-la a outras pessoas, que podem morrer por isso.


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