MAI responde “ainda bem” ao anúncio do Chega de que vai forçar comissão de inquérito

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, respondeu “ainda bem” ao anúncio do Chega de que vai forçar uma comissão parlamentar de inquérito aos seus mandatos à frente da Polícia Judiciária (PJ)



“Ainda bem. Portanto, conforme já disse anteriormente, estou totalmente disponível para, em todos os fóruns, prestar todos os esclarecimentos. É uma boa altura para se saber e para se conhecer o meu legado à frente da Polícia Judiciária”, declarou aos jornalistas Luís Neves, em Pedrógão Grande (Leiria), onde presidiu à sessão solene comemorativa do Dia do Município.

O presidente do Chega, André Ventura, anunciou hoje que o seu partido vai forçar a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da PJ no arranque da próxima sessão legislativa, em setembro.

Luís Neves reafirmou que, no seu tempo próprio, vai prestar os esclarecimentos que os portugueses merecem.

Questionado se colocou o seu lugar à disposição do primeiro-ministro, Luís Montenegro, na sequência da polémica sobre as obras numa sua casa em Odemira e do atrelado encontrado na empresa do construtor que fez os trabalhos, o governante respondeu: “Eu, se sentisse que não tinha condições para estar neste lugar, não estava aqui a desempenhar o meu trabalho”.

A empresa, Construbarcelos, foi responsável por obras na PJ, quando Luís Neves era diretor nacional, sendo que um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga foi posteriormente encontrado nas instalações daquela.

O ministro, ex-diretor nacional da PJ entre 2018 e 2026, repetiu estar “muito focado, sobretudo nesta época, com a questão dos fogos florestais”, para acrescentar que “essa é uma questão que, pura e simplesmente, não se coloca”.

“É com a maior tranquilidade e até agradeço que aquilo que eu fiz enquanto servidor público possa ser absolutamente descortinado. Tenho o maior orgulho, a maior honra naquilo que tenho feito enquanto servidor público e continuarei a fazer, que é aquilo que é o que me motiva e que me dá alegria e que me dá força de trabalhar em prol do país, em prol das populações, em prol dos portugueses”, acrescentou.

Hoje de manhã, pouco depois de chegar a Pedrógão Grande, tinha pedido aos jornalistas respeito pelo seu trabalho.

O Chega tem 60 deputados eleitos, número suficiente para impor a criação de uma comissão parlamentar de inquérito - segundo o Regime Jurídico dos Inquéritos Parlamentares, é necessário um quinto dos parlamentares em efetividade de funções, ou seja, 46.

Na terça-feira, Luís Neves disse estar a reunir os documentos que considera importantes no âmbito das polémicas que têm sido conhecidas ao longos das últimas semanas, relativas às obras da sua casa em Odemira e do atrelado encontrado em casa do construtor que trabalhou na sua propriedade.

Na sexta-feira passada, a PJ anunciou que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.

No mesmo dia, a Procuradoria-geral da República confirmou “a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado ‘Operação Pacoba’”.

A polémica teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na PJ quando Luís Neves era diretor nacional.

Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.

Já na semana passada, a Câmara de Odemira disse que está a verificar a legalidade das obras realizadas no imóvel particular de Luís Neves, na freguesia de São Teotónio.


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Segundo o mais recente relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, a contaminação dos solos da base usada pelos Estados Unidos da América obrigou à remoção de solos contaminados, extração de hidrocarbonetos e fecho de piezómetros mal construídos, que podiam constituir fonte de passagem de contaminantes