Açoriano Oriental
OM tem mais pedidos para médicos irem trabalhar para fora do que de médicos imigrantes

A Ordem dos Médicos (OM) recebe mais solicitações para médicos portugueses irem trabalhar no estrangeiro do que pedidos de clínicos de outros países para exerceram em Portugal, disse à Lusa o bastonário Miguel Guimarães.

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Foto: SXC
Autor: AO Online/ Lusa

Miguel Guimarães falava à agência Lusa a propósito do aumento do número de médicos estrangeiros registados em Portugal, que atingiu em 2019 o valor mais elevado da última década, situando-se nos 4.192, mais 9,1% face a 2009.

“Estamos com as portas abertas para a Europa e para o resto do mundo e a circulação das pessoas, nomeadamente na União Europeia que é livre, permite que as pessoas vão trabalhando em sítios diferentes e nós temos médicos que têm optado por trabalhar em Portugal”, afirmou o bastonário da OM.

Contudo, sublinhou, a OM recebe “mais pedidos para contratarem médicos portugueses do que pedidos de médicos para virem para Portugal”.

“Também acontece médicos estrangeiros procurarem obter informações junto da Ordem dos Médicos para perceber qual é o mecanismo que têm que seguir no sentido de poderem virem trabalhar para Portugal, mas acontece mais casos de empresas e de médicos portugueses que são solicitados para trabalhar no estrangeiro”, vincou.

Segundo o bastonário, há oferta de trabalho para médicos portugueses na Europa, mas também na Ásia, Médio Oriente e até nos Estados Unidos.

“Mas na Europa há uma procura muito grande (…) estamos a falar de países como o Reino Unido, Suíça, Bélgica, Alemanha”, de onde chegam pedidos “regularmente” à OM.

Questionado pela Lusa sobre haver mais médicos estrangeiros a trabalhar em Portugal, o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), Alexandre Lourenço, afirmou que será “importante perceber em que áreas” é que estão a exercer.

Alexandre Lourenço alertou que há um problema que está “a crescer em Portugal”, que são os médicos indiferenciados, que “podem exercer a sua atividade, mas que não têm nenhuma especialidade”.

“É uma realidade nova e crescente em Portugal e que será importante monitorizar até para assegurar que temos uma Medicina, como estamos habituados, de elevada qualidade”, defendeu o responsável, destacando o papel da OM nesta matéria.

Para Alexandre Lourenço, a regulação exercida pela Ordem tem “um papel muito importante” para assegurar que estes médicos têm a qualidade necessária para exercer em Portugal e perceber se estão colocados nas especialidades carenciadas.

“Nos cuidados de saúde primários ainda não temos uma cobertura total também por falta de atratividade do sistema”, disse, lembrando que “ainda recentemente houve um programa de recrutamento de médicos estrangeiros, nomeadamente da América do Sul e da América Central, porque não se conseguia atrair médicos para algumas áreas do país, nomeadamente para o Alentejo”.

Alexandre Lourenço acredita que “pode existir aqui um trabalho grande de melhoria da acessibilidade, do ponto de vista geográfico”, mas, defendeu, “este processo exige algum planeamento do país nesta matéria”.

“Discutimos muito o número de médicos, mas a verdade é que temos um problema de planeamento das especialidades médicas” e “temos uma grande dificuldade em atrair médicos para o setor público”, vincou.

Esse planeamento, defendeu, deve ser “essencialmente feito com um investimento grande do Estado também na formação de médicos”.


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