“O Feiticeiro de Oz por terras de São Miguel” na Ribeira Grande

Os utentes do CACI da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, sobem ao palco do Teatro Ribeiragrandense, amanhã, para apresentarem um espetáculo com muita música e dança



O Teatro Ribeiragrandense é palco, amanhã, (21 março) pelas 20h00, do espetáculo “O Feiticeiro de Oz por terras de São Miguel”, no âmbito do projeto ‘Teatro para Todos’, levado a cabo pelo CACI - Centro de Atividades para a Capacitação e Inclusão, da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande.

Esta é a 8ª edição do ‘Teatro para Todos’, e “à luz da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, permite às mesmas terem a oportunidade de desenvolver e utilizar o seu potencial criativo, artístico e intelectual, não só para benefício próprio, como também para o enriquecimento da sociedade”, afirmou em declarações ao Açoriano Oriental, Sónia Rangel Melo, coordenadora da valência CACI.

Este espetáculo tem como objetivo levar à comunidade o trabalho que é feito no CACI.

Trabalhar com os utentes, na vertente das artes é, para Sónia Rangel Melo, “maravilhoso e surpreendente. E é essa a mensagem que também queremos transmitir, porque, muitas vezes, existem ideias erradas relativamente às competências destas pessoas”.

Dos cerca dos 40 utentes do CACI, 38 irão subir ao palco para levar a cabo “O Feiticeiro de Oz por terras de São Miguel”, numa adaptação do filme de 1939 “O feiticeiro de Oz” de L. Frank Baum e Noel Langley. 

A coordenadora explica que “temos utentes que nos surpreendem pela positiva, porque conseguem decorar um texto, do princípio ao fim. Claro que são muitos ensaios, muito trabalho, mas nós chegamos ao fim e dizemos assim: ‘isto realmente é maravilhoso’”.

Por seu turno, os utentes do CACI gostam muito de participar nestas atividades e “têm aquele sentido de responsabilidade que é bastante interessante”, enaltece, para acrescentar que “apelamos sempre à colaboração de todos. Se querem participar ou não, perguntamos o que é que gostavam de fazer e vamos experimentando, porque também são feitos vários testes, consoante as personagens”. Depois, “fazemos com que cada um esteja à vontade no seu papel, porque isto é a base do nosso trabalho, que é o respeito pela pessoa com deficiência como pessoa”, sublinha.

Este espetáculo mostra talento, competências e individualidades, dos utentes do CACI e conta com muita música e dança, porque “faz parte do nosso dia a dia. A música é ótima para podermos trabalhar com muitos dos nossos utentes, adaptando, obviamente, a cada um”. 

A pouco tempo de subirem ao palco, é normal os utentes sentirem ‘um nervoso miudinho’, porque querem que tudo corra na perfeição. 

Sónia Rangel Melo adianta que “temos as nossas estratégias para o caso de alguém se sentir mais nervoso, mais ansioso. Tentamos controlar, fazendo determinadas atividades que eles adoram e que nós adoramos também, como rir um bocadinho, dançar, ouvir música, e é uma forma de superar o nervosismo”.

A finalizar a coordenadora afirma que “uma das coisas que queremos muito com este espetáculo, é levá-lo a uma sala de espetáculos maior, para que mais pessoas possam usufruir da nossa alegria, que é contagiante. Há uma mensagem que gostava de transmitir, que é: ser diferente é normal”.  

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