“O circuito aéreo pelas nove ilhas deveria ser vendido durante o verão”

José António Soares, presidente da Câmara Municipal da Madalena, na ilha do Pico, espera que o verão venha colmatar as perdas que a economia local sofreu com a pandemia.



Como está a decorrer o regresso à ‘nova normalidade’ no concelho da Madalena?
Esta nova normalidade é uma nova anormalidade porque não é tão simples quanto possamos pensar. Embora as pessoas estejam a vir para a rua, é muito lentamente. O movimento que estávamos habituados a ter no nosso concelho era completamente diferente, só pelo facto do barco andar todo o dia do Pico para o Faial, isso implicava um movimento muito grande.

Nesta fase de desconfinamento, qual é a sua maior preocupação?
A minha maior preocupação é no comércio, na restauração e na hotelaria. É onde sinto que há algumas situações complicadas. Passamos as festas do Espírito Santo e entrámos, no passado domingo, na Trindade, e nada foi igual. Vinham muitas pessoas do Faial para o Pico nestas festas do Espírito Santo, o que dava um maior movimento de pessoas no concelho. Este ano isso não aconteceu. No comércio do pronto-a-vestir, por exemplo, os empresários não conseguiram realizar a época dos saldos e agora tiveram que adquirir uma nova coleção. Ou seja, toda aquela indumentária de batizados, comunhões, crismas, para as festas do Espírito Santo, as pessoas deixaram de comprar. Portanto, há aqui uma preocupação, mas esperamos que isto vá retomando, pouco a pouco. Espero que o verão possa vir a animar um pouco o concelho, embora com alguma apreensão.

No que diz respeito à restauração e hotelaria, como foi a aceitação às novas normas?
Todos os empresários da restauração e hotelaria adaptaram-se às novas regras. Todos fizeram remodelações e estão a corresponder a todas as exigências que foram impostas. Estão a cumprir, mas também estão todos a aguardar a vinda de clientes porque o problema é que não têm tido clientes e os que são, são muito poucos. Há no concelho um nicho de negócio da restauração que vive dos turistas que chegam no verão e, sem turismo, não há um maior número de clientes. Do ponto de vista económico e para que esses setores melhorem, tem de vir mais gente. Não há dois mundos perfeitos, um em que estamos todos confinados, não deixamos ninguém entrar e não nos acontece nada, e um mundo em que queremos que a economia funcione normalmente, isso não é possível. Temos que abrir a nossa economia.

Por outro lado, o setor da construção civil não parou no concelho...
Do ponto de vista da construção civil, não temos notado que tenha havido um retrocesso, pelo contrário. Em todas as reuniões camarárias temos aprovado projetos de construção. Quer isso dizer que o setor da construção civil continua a funcionar bem, potencia os empreiteiros e todo o restante comércio ligado a esse setor e isso tem sido um elemento importante nesta fase em que vivemos.

O cancelamento da operação sazonal da Atlânticoline veio prejudicar ainda mais a economia do concelho da Madalena?
Nós vivemos muito desta circulação. Todas as pessoas que costumam vir das outras ilhas na altura do verão são sempre uma mais-valia para a nossa restauração e para o nosso comércio. É extensível a toda a Região o facto de não decorrerem este ano as festas concelhias e isso implica que seja menos um contributo para a economia. Por isso, com o cancelamento da operação de verão da Atlânticoline, reitero que o transporte aéreo interilhas deveria ter um custo diferente, por forma a dinamizar a economia da Região. Na minha opinião, o circuito aéreo pelas nove ilhas dos Açores deveria ser vendido durante o verão e aí poderíamos potenciar muito a nossa economia interna.

Como analisa o regresso da operação da SATA Air Açores?
Felizmente tem chegado pessoas ao Pico. Primeiro chegaram pessoas que estavam retidas em outras ilhas (São Miguel e Terceira), depois também já começaram a chegar outras pessoas com ligações à ilha. Porém, ainda estamos num período inicial, há ainda questões por esclarecer em relação à circulação interilhas, as pessoas têm algumas dúvidas em relação aos testes, mas vamos esperar por meados de junho para que possamos receber mais pessoas.

Concorda com a forma como está a ser realizado o controlo nos aeroportos de Ponta Delgada e Terceira?
Penso que os testes têm que ter resultados céleres. Concordo que sejam feitos por uma questão de segurança de todos. Quanto mais testarmos, mais nos iremos sentir tranquilizados e vamos ganhando confiança. Se cada um for fazendo a sua proteção, estamos a ajudar uns aos outros nessa retoma económica que queremos que seja positiva.

As verbas destinadas aos eventos organizados pela autarquia da Madalena que foram cancelados, vão ser canalizadas para o apoio social?
As verbas estão alocadas a uma série de apoios sociais. Houve muitas situações que surgiram desta pandemia e que não estávamos a contar e, por isso, vamos usar os fundos para apoiar todas as instituições do concelho. Para além disso, temos a situação do furacão Lorenzo em que temos que intervir nas zonas balneares. Temos um contrato ARAAL com o Governo dos Açores - que irá ser assinado em breve - para avançarmos o mais rápido possível com estas obras que são muito importantes para o concelho. Temos também alguns projetos aprovados no âmbito do PO2020 (Programa Operacional). Devo dizer que as verbas são sempre poucas para tudo aquilo que queremos fazer, mas friso que ninguém que tenha algumas necessidades vai ficar de fora. Estamos sempre disponíveis para apoiar e colaborar com as nossas instituições, comerciantes e continuamos a trabalhar para dar uma melhor vida à população da Madalena.







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