Número de mortos é bastante mais elevado do que o avançado por regime


 

Lusa/AO   Internacional   28 de Set de 2007, 07:51

O embaixador da Austrália na Birmânia afirmou hoje que o balanço de mortos nas recentes manifestações no país é bastante mais elevado do que o número oficialmente avançado pelo regime birmanês.
Bob Davis disse à rádio ABC que o regime birmanês forneceu um balanço de 10 mortos, mas que "testemunhas disseram ter visto um número muito mais elevado de corpos no local das manifestações, quinta-feira, no centro de Rangum".

    O número de pessoas mortas é "superior em várias dezenas ao número dado pelas autoridades", adiantou.

    Quinta-feira, a televisão nacional, controlada pela Junta Militar, referira que nove pessoas - oito manifestantes e um japonês - tinham sido mortas em actos de violência.

    Um dia antes, quatro pessoas - um civil e três monges - foram mortos, segundo responsáveis birmaneses e testemunhas dos confrontos entre manifestantes e Exército que tenta desde quarta-feira reprimir um vasto movimento de protesto.

    Para Bob Davis, a repressão é "uma resposta completamente desapropriada às manifestações pacíficas".

    Tendo em conta que se espera que as manifestações prossigam hoje, o embaixador australiano considerou a situação "muito tensa".

    O japonês morto em Rangum era um operador de câmara da agência nipónica APF, Kenji Nagai, abatido quando filmava a repressão das manifestações em Rangum.

    Trata-se do primeiro estrangeiro morto em manifestações na Birmânia.

    As forças de segurança tentam, com bastante dificuldade, quebrar o movimento de protesto contra a junta militar, lançado a 19 de Setembro, na sequência de um aumento maciço dos preços, e que os monges budistas combateram.

    Hoje, após dois dias de violência nas ruas de Rangum, a principal ligação via Internet deixou de funcionar, segundo um responsável birmanês de telecomunicações, que atribui o problema a "um cabo submarino danificado".

    "A Internet não funciona porque um cabo submarino foi danificado", esclareceu um responsável da empresa estatal Myanmar Post and Telecoms.

    Por sua vez, fonte ocidental em Rangum referiu que desde as 11:00 locais (05:30 em Lisboa), o acesso à Internet e ao correio electrónico foi bloqueado e que o corte foi ordenado pela Junta Militar que tenta desta forma impedir a difusão, para o exterior do país, de informação, fotografias e vídeos sobre a repressão em curso.
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