Novo raio-x instalado no Aeroporto de São Jorge até segunda semana de abril

O Governo dos Açores prevê que o novo equipamento de raio-x para inspeção de cargas do aeroporto de São Jorge seja instalado “até à segunda semana de abril” e indicou que o atraso é da responsabilidade do fabricante



“Prevê-se a instalação do equipamento em São Jorge até à segunda semana de abril. A SATA - Gestão de Aeródromos, S.A., encontra-se, junto do fornecedor, a envidar esforços no sentido de antecipar a data de entrega”, referiu o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, numa resposta enviada ao grupo parlamentar do PS/Açores e hoje consultada pela agência Lusa.

Em fevereiro, os socialistas questionaram, através de requerimento, o Governo Regional sobre o processo de aquisição e instalação de um equipamento de raio-x no Aeroporto de São Jorge, por a situação estar a “prejudicar gravemente” o setor das pescas.

Segundo o partido, a ausência de um aparelho de raio-x impede “a exportação de pescado fresco por via aérea, com prejuízos diretos para os pescadores da ilha”.

No requerimento, o grupo parlamentar do PS também lembrava que, no início do ano, tinha questionado o executivo regional sobre as restrições impostas ao envio de carga aérea devido à inexistência de equipamentos de inspeção de carga no Aeroporto de São Jorge, nomeadamente de um aparelho de raio-x.

Na resposta, o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades explicou que o contrato para a aquisição de serviços de fornecimento e instalação de duas máquinas de raio-x para a zona das cargas do Aeródromo da ilha do Pico e para a zona de rastreio de bagagem de porão e carga do Aeródromo da ilha de São Jorge “foi assinado a 03 de março de 2025, com prazo de execução de 12 meses”.

“O equipamento destinado ao Pico já se encontra instalado, mas o que se destina a São Jorge está ainda nas instalações do fabricante”, adiantou Paulo Estêvão.

O governante esclareceu que o incumprimento na instalação do equipamento de São Jorge ocorreu porque a empresa fornecedora “procedeu ao fabrico do equipamento com um ‘kit’ de interface eletrónica com o STB ‘standard’ de acordo com o protocolo Smiths Hand Shake & Result”, mas o requerido para a instalação é “um ‘kit’ de interface Handshake & Result + Serial interface, idêntico ao já existente em São Jorge”.

A empresa “tardou a reconhecer o erro e, apenas tardiamente, procedeu à encomenda dos componentes necessários para configurar o equipamento de acordo com os requisitos especificados”, acrescentou.

“A responsabilidade pelo atraso é do fabricante, Smiths Detection, que apenas de forma tardia […] reconheceu o erro técnico identificado e iniciou o processo de correção”, salientou o governante.

Com o objetivo de assegurar o escoamento regular de produtos perecíveis e de minimizar prejuízos aos agentes económicos da ilha de São Jorge, “foi encontrada uma solução transitória através da Atlânticoline [empresa pública de transporte marítimo nos Açores], garantindo a continuidade do transporte durante o período de indisponibilidade do equipamento aéreo”.

“Esta medida permitiu mitigar impactos operacionais e assegurar a manutenção da cadeia logística”, vincou Paulo Estêvão.

Questionado sobre se haverá apoios ou compensações para os agentes económicos que continuam a ser prejudicados pela impossibilidade de envio de carga aérea, o secretário regional dos Assuntos Parlamentares respondeu que “não se encontram previstas compensações específicas no âmbito deste processo, uma vez que a situação resulta de um incumprimento do fornecedor do equipamento”.

“Ainda assim, o Governo Regional continuará a acompanhar o impacto operacional desta situação, avaliando eventuais necessidades de ajustamento em articulação com os agentes económicos”, concluiu.


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