Nova Igreja em Ponta Delgada em Maio de 2009


 

Lusa/AOonline   Regional   16 de Nov de 2008, 14:37

Pela sua dimensão e estilo já lhe chamaram "catedral", mas a nova igreja em construção em Ponta Delgada debate-se com o “grande desafio” de motivar os fiéis para o culto católico numa época de fraca participação religiosa.
Orçado em 1,5 milhões de euros, o templo que está a ser construído na zona do Lajedo tem capacidade para 400 pessoas, com linhas modernas, sem quaisquer semelhanças com as igrejas tradicionais dos Açores.

    "Dizem que é uma catedral", afirmou à agência Lusa o cónego José Garcia, da paróquia de São José, ao mesmo tempo que admite ser uma grande responsabilidade construir um novo espaço para o culto nos tempos que correm.

    A nova igreja, que deverá ser inaugurada a 13 de Maio do próximo ano, constitui a concretização de um “sonho” de mais de três décadas dos fiéis da localidade.

    "É um grande desafio. É preciso ter uma esperança muito grande no valor do espírito", salientou à Lusa o pároco de São José.

    Daí que, no seu entender, "a grande dúvida é esta: construir uma igreja para andar vazia? Este é que é o grande problema da vida cristã" interrogou-se o pároco local, quando questionado sobre o facto de muitos fiéis não irem com tanta frequência a actos litúrgicos.

    Junto à nova igreja, dedicada à Nossa Senhora de Fátima, o cónego José Garcia lembrou as vicissitudes por que passou a concretização deste "sonho", liderado pelo monsenhor Maia, que foi pároco da freguesia de São José.

    "Monsenhor Maia viu que a cidade estava a correr cá para cima [zona do Lajedo] e pensou bem: a igreja tem que acompanhar estas pessoas", recordou o Cónego.

    Trinta anos depois, o padre de São José defende que continua a fazer sentido um novo templo, dado o crescimento populacional que se continua a verificar naquela zona da maior cidade dos Açores.

    "Construir esta igreja neste local é ir ao encontro de uma nova população que está a surgir, criando-se assim mais espírito comunitário", justificou à Lusa o cónego José Garcia.

    Para a chamar os fiéis para o novo tempo, o pároco já tem um plano definido.

    "Na véspera, vou arranjar duas equipas e vamos bater à porta das pessoas: olha não se esqueçam vai ser inaugurada no dia 13 de Maio e vocês ficam com uma nova igreja aqui em cima", explica.

    O cónego José Garcia defendeu que a igreja Nossa Senhora de Fátima "vai ser, não só um templo da paróquia de São José, mas de toda a cidade", de "reaproximação", particularmente no caso dos jovens.

    O pároco assegura que "há projectos" e espaço na nova obra religiosa para o efeito, manifestando-se confiante que possa até surgir uma nova paróquia, "a única da cidade consagrada a Nossa Senhora de Fátima".

    "Já disse aqui, qualquer dia vocês têm uma igreja nova aqui. Os dois templos vão completar-se em termos de actos religiosos", refere.

    Enquanto isto, a comunidade anda mobilizada, oferecendo donativos para aquisição de mobiliário e depositando "muita expectativa" na abertura da nova igreja.

    Uma bancada, sacrário, sinos, uma custódia de ouro, um órgão, são algumas das ofertas da comunidade local, emigrantes, instituições e até visitantes.

    A nova igreja terá um “altar com a imagem de Nossa Senhora de Fátima igual à da Capelinha das Aparições. Está muito bem organizada liturgicamente", descreve o Cónego José Garcia.

    "Vou anunciando na igreja de São José. A comunidade tem um grande coração e um grande interesse em ajudar", contou o Cónego José Garcia, que acrescenta um caso concreto: "ainda há dias apareceu um senhor com um donativo de mil euros a favor da nova igreja".

    Orçada em 1,5 milhões de euros, a igreja assenta em linhas modernas, com uma nave única, num terreno de 3.826 metros quadrados, que foi oferecido pelo Governo Regional à Diocese açoriana para este efeito há 30 anos.

    "Em Abril deste ano, foi feito um acto de cedência do terreno da Diocese de Angra e Ilhas dos Açores para a autarquia de Ponta Delgada. O regulamento municipal de Ponta Delgada determina que os construtores civis do concelho construam equipamentos sociais e desportivos", explica o Cónego José Garcia, sublinhando ter sido assim possível dar início a um "sonho com mais de 30 anos da comunidade católica de São José".

    Depois de duas pedras, duas bênçãos, vários projectos e um terreno oferecido, o pároco de São José não tem dúvidas: "É uma obra que resulta de um conjunto de boas vontades".

    "Boa vontade da paróquia, Câmara Municipal, Governo Regional e arquitecto, que ofereceu o projecto", remata.


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