Fátima

"Nova Igreja é resposta ao progresso "

"Nova Igreja é resposta ao progresso "

 

Lusa / AO Online   Nacional   12 de Out de 2007, 18:31

A nova Igreja da Santíssima Trindade, inaugurada esta tarde em Fátima, é uma resposta às exigências do progresso, disse hoje o reitor do Santuário da Cova da Iria, Monsenhor Luciano Guerra.
    "A razão próxima desta Igreja foi, é e esperamos que sempre será o serviço dos peregrinos, que não cessam de afluir a Fátima", disse o reitor na cerimónia de dedicação do novo templo.

    "O progresso económico, cultural e social vem-nos exigindo que ofereçamos aos fiéis um conforto não muito inferior ao que usufruem em suas casas, poupando-os aos incómodos do tempo e da posição de pé", acrescentou, justificando a construção da nova Igreja, cujo custo rondou os 70 milhões de euros, a que acrescerão os cerca de dez milhões de euros com que o Santuário contribuirá para a construção dos acessos.

    Falando para uma assembleia de cerca de nove mil pessoas, entre as quais muitos convidados, antes da entrega das chaves da nova Igreja ao Bispo de Leiria-Fátima, Monsenhor Luciano Guerra realçou as condições de acolhimento do templo, onde "não há barreiras arquitectónicas".

    "Todos estamos presentes a todos. Sem obstáculos visuais. Sem ruídos, nem de sons, nem de cores, nem de volumes", disse o reitor, acrescentando que "Fátima torna-se desde hoje, de modo bem mais explícito, Santuário da Santíssima Trindade".

    Na sua intervenção, inserida nas cerimónias presididas pelo Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, o reitor do Santuário de Fátima chamou ainda a atenção para o lugar de destaque reservado para uma pedra retirada do túmulo de S. Pedro e que, em Março de 2004, lhe foi entregue pelo Papa João Paulo II.

    "Demos-lhe o melhor lugar, ao centro, em frente e por baixo do altar, para que seja incentivo à unidade com o sucessor de Pedro", disse Luciano Guerra, lembrando depois a ligação de Fátima com o Papa João Paulo II, nomeadamente no teor do chamado Terceiro Segredo.

    "No longo e duro cortejo da Igreja em todo o século XX, objecto da parte final do Segredo de Fátima, vai à frente um Bispo, vestido de branco, que sobe penosamente em direcção a uma cruz, no alto da montanha. Aí, ele é o primeiro a sofrer o martírio, às mãos dos soldados da cidade, meio em ruínas, que ficou cá em baixo", disse.

    "Os Pastorinhos identificaram o Bispo vestido de branco com o Santo Padre. Lúcia diria mais tarde que essa profecia se realizou em João Paulo II. Sendo assim, respira-se nesta pedra, a fé de Pedro e o perfume do Papa que Deus mais envolveu no mistério de Fátima", acrescentou.

    De autoria do arquitecto grego Alexandros Tombazis, a nova Igreja tem duas zonas principais, uma dedicada à reconciliação e outra à nave principal, que forma um círculo de 125 metros de diâmetro, com capacidade até perto de nove mil lugares sentados.

    As quatro capelas menores têm capacidade para entre 140 e 400 lugares sentados a que se somam 48 confessionários, que são unidos por um grande átrio que servirá de apoio aos peregrinos.

    O culto do Santíssimo Sacramento será transferido para a nova Igreja bem como vários serviços menores do Santuário, até agora espalhados por vários locais.

    Entretanto, a actual basílica terá uma vocação mais dirigida para o culto dos Pastorinhos, até porque é nesse templo que estão os túmulos, enquanto a nova Igreja ficará com a maior parte das celebrações dominicais principais, fora da Capelinha das Aparições ou do Altar do Recinto.

    No interior do templo, o peregrino pode apreciar obras de Siza Vieira, Pedro Calapez, Kerry Joey Kelly (Canadá), Maria Loizidou (Chipre), Catherine Green (da Irlanda), entre vários autores.

    Uma das peças com maior impacto será a parede de fundo do altar, com mais de 500 metros quadrados, que inclui vários desenhos de inspiração ortodoxa sobre folha de ouro em relevo da autoria do esloveno Marko Ivan Rupnik.

    Na obra trabalharam cerca de 3.300 pessoas, que deverão ter o seu nome gravado num monumento a colocar na basílica.
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