Jogos Olímpicos

Nélson Évora ainda não sabe dizer o que é ser campeão olímpico

Nélson Évora ainda não sabe dizer o que é ser campeão olímpico

 

Emídio Simões, Lusa/AO online   Outras modalidades   22 de Ago de 2008, 15:53

Nélson Évora conteve as lágrimas no pódio do triplo salto dos Jogos Pequim2008, mas ainda não sabe dizer qual é a sensação de ser campeão olímpico, porque durante a noite só dormiu uma hora e meia.
    Já com a medalha de ouro ao peito e a segurar o ramo de flores entregue na cerimónia, que vai oferecer à mãe, Nélson Évora admitiu, no entanto, que estar no degrau mais alto do pódio no Estádio Nacional de Pequim, o “Ninho do Pássaro”, foi “um momento único”.

    “Foi a primeira vez nestes Jogos Olímpicos que isso aconteceu [a Portugal] e a última já tinha sido há 12 anos. Estou muito feliz por dar essa alegria ao povo português”, disse o atleta do Benfica, de 24 anos.

    Revelando que hoje teve um dia cansativo, depois de ter dormido apenas uma hora e meia, adiantou que ainda não teve tempo para responder às mensagens recebidas e que não chorou no pódio porque estava preparado para o momento.

    “Já fui campeão do Mundo, mas se a cerimónia tivesse sido ontem [quinta-feira] talvez não estivesse tão preparado como hoje”, disse Nélson Évora, adiantando: “Ainda não compreendi o que é ser campeão olímpico, porque ainda não dormi”.

    Nélson Évora, que na quinta-feira só conseguiu falar para casa quando eram 19:00 ou 20:00 em Lisboa (02:00 ou 03:00 de hoje em Pequim), considerou, no entanto, que há “algumas diferenças” entre ser campeão mundial e olímpico.

    “Nos Jogos Olímpicos há mais atenção e são só de quatro em quatro anos, mas quero fazer com que este não seja o melhor momento da minha carreira. Quero ir mais longe”, afirmou, admitindo que depois destes momentos “é sempre bom reflectir” para saber o que é preciso melhorar.

    A médio prazo, Nélson Évora, que ganhou o concurso com 17,67 metros e tem como recorde pessoal 17,74, pretende “renovar o título e bater o recorde olímpico”, que é de 18,09 e pertence ao norte-americano Kenny Harrison desde Atlanta1996.

    A longo prazo tem o “objectivo de carreira” de bater o recorde mundial de 18,29, estabelecido em 07 de Agosto de 1995 pelo britânico Jonathan Edwards, em Gotemburgo, Suécia.

    O triunfo de quinta-feira, que “acrescenta um grande título” à sua carreira, mereceu “uma grande festa” entre os atletas portugueses presentes na Aldeia Olímpica: “Há amigos e ficamos felizes e festejamos um pouco quando algum conquista uma medalha”.

    Mas por agora só quer descansar: “Até ao fim do ano irei a alguns ‘meetings’, mas não está nada confirmado”, disse Nelson Évora, que não se considera o Deco do triplo salto, como hoje lhe chamou um jornal chinês, numa alusão ao facto de ter nascido na Costa do Marfim e o futebolista internacional português ser um brasileiro naturalizado.

    Depois de Phillips Idowu ter dito que ficara “frustrado” com o segundo lugar, porque esperava ganhar, Nelson Évora disse que o estado de espírito do britânico era por “culpa dele”, por não ter respeitado os adversários.

    “A frustração dele é culpa dele. Temos de ter sempre respeito pelos adversários e ele pensou que já tinha a medalha no bolso. Mas ela está comigo”, sublinhou Évora, que antes da cerimónia do pódio esteve a conversar com Idowu e com o terceiro classificado, Leevan Sands, das Bahamas.

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