NATO alerta contra violência no Kosovo


 

Lusa / AO online   Internacional   27 de Nov de 2007, 10:01

O presidente da Assembleia Parlamentar da NATO, José Lello, garantiu em Skopje que a Aliança Atlântica não tolerará a violência e o regresso aos confrontos étnicos no Kosovo.
Falando ao plenário dos deputados no parlamento macedónio, o alto dignitário português centrou a intervenção nas duas grandes “incógnitas” que se abrem após 10 de Dezembro, data limite para a conclusão das negociações entre as delegações sérvia e albanesa sobre o futuro estatuto do Kosovo.

A 10 de Dezembro, a troika que medeia as negociações - UE (Grã-Bretanha, França e Alemanha), Estados Unidos e Rússia -, entregará um relatório final ao secretário-geral das Nações Unidas (ONU), para ser elevado a decisão do Conselho de Segurança.

“Entraremos num período de incerteza e potencial perigo”, sublinhou o presidente da Assembleia Parlamentar da NATO, que se interrogou sobre “o que acontecerá a seguir” se não houver acordo entre sérvios e albaneses.

“O que acontecerá na Sérvia se Pristina autoproclamar a independência” e “o que será do Kosovo se não o fizer” foram as questões dirigidas aos deputados macedónios por José Lello.

“A situação é altamente volátil e com graves consequências potenciais para todos, especialmente para a força aliada no Kosovo (KFOR)”, sublinhou.

A Sérvia foi bombardeada pela NATO em 1999 e desde meados desse ano, a sua província meridional do Kosovo - onde 90 por cento da população é muçulmana albanesa - está sob administração da ONU (MINUK).

Relativamente ao futuro estatuto do território, Pristina não abre mão da independência e Belgrado recusa-se a ir além da concessão de uma ampla autonomia.

Moscovo apoia a tese de Belgrado e Washington a independência preconizada por Pristina, ao ponto de já ter anunciado que a reconhecerá, sendo autoproclamada em Março de 2008, como ameaçou Hashim Thaci, ex-guerrilheiro do Exército de Libertação do Kosovo (UÇK) vencedor das legislativas locais do passado dia 17, à frente do Partido Democrático do Kosovo (PDK).

Segundo Lello, o que vier a acontecer no Kosovo “poderá minar todos os progressos feitos na região balcânica, que tanto custaram alcançar” depois das guerras de independência dos seis países integrantes da antiga Jugoslávia.

No caso da Macedónia, independente desde 1992, com uma população escassa e dividida, uma economia com fraco desempenho e rodeada de vizinhos com situações internas instáveis, Lello elogiou a capacidade de Skopje para gerir a crise do Kosovo em 1999 e as hostilidades com a guerrilha albanesa no norte do país, chegando à paz com o Acordo de Ohrid em Agosto de 2001, sob mediação da União Europeia e da NATO.

José Lello recordou que a Macedónia é membro associado da NATO desde 1993, e que a sua plena adesão à organização dos 26 - juntamente com a Croácia e a Albânia - está a ser ponderada para a cimeira de Bucareste (Abril de 2008), em nome da segurança e estabilidade nos Balcãs.

A NATO “reconhece os progressos realizados em várias áreas”, nomeadamente nas da “segurança e defesa”, as contribuições macedónias para a KFOR, para a ISAF no Afeganistão e no Iraque, mas considera haver ainda “trabalho a fazer”, disse o presidente da Assembleia Parlamentar.

Segundo Lello, os aliados “esperam uma atitude responsável e moderada” de Skopje, sobretudo face à presente crise aberta com a definição do estatuto do Kosovo.

“A NATO é em primeiro lugar e principalmente uma aliança de países que subscrevem os mesmos padrões democráticos”, vincou, chamando a atenção para a necessidade de prosseguirem as reformas.

“O respeito pelo primado da lei, direitos das minorias, e combate à corrupção e ao crime organizado” são requisitos que Skopje também deverá cumprir, acentuou.

José Lello prometeu que a NATO “poderá prestar assistência, mas não substituir-se aos esforços” das autoridades macedónias na senda para a plena democracia.

O presidente da Assembleia Parlamentar da NATO deixou uma última palavra de optimismo face às pretensões macedónias de adesão às estruturas euro-atlânticas, justificadas sobretudo pela componente “estratégica”.

Nos Balcãs, “só a Bósnia-Herzegovina e a Sérvia ficarão [para já] de fora”, concluiu.

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