Sistema antimíssil na Europa

Moscovo e Washington não chegam a acordo

Moscovo e Washington não chegam a acordo

 

Lusa / AO online   Internacional   12 de Out de 2007, 15:26

A secretária de Estado norte-americana, Condolleza Rice, reconheceu hoje que a Rússia e os Estados Unidos não chegaram a acordo sobre a instalação de um sistema de defesa antimíssil, nas consultas bilaterais realizadas em Moscovo.
    "Não conseguimos acordo sobre as questões da defesa antimíssil, bem como da instalação de ogivas nucleares, previstas no Tratado de Moscovo, mas concluímos que os nossos peritos devem analisar essas questões o mais depressa possível", declarou a secretária de Estado.

    Rice disse que os norte-americanos tentaram responder às perguntas que preocupam a Rússia, referindo que "também aqui é preciso encarregar os peritos de terminar esse trabalho".

    "No que respeita à Polónia e República Checa, vamos continuar o trabalho nesse sentido e claro que teremos em conta as preocupações russas", frisou Rice.

    "Não chegámos a um acordo", confirmou o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, numa conferência de imprensa realizada após as consultas com Condolezza Rice e com o secretário da Defesa norte-americano, Robert Gates.

    Lavrov reconheceu, porém, que Washington fez a Moscovo uma proposta alternativa neste campo.

    "Hoje, os nossos colegas americanos apresentaram a sua contraproposta, que visa procurar saídas comuns", informou o chefe da diplomacia russa, sem avançar pormenores.

    Russos e norte-americanos decidiram continuar as conversações sobre este tema em Washington dentro de seis meses.

    Washington negoceia a instalação de uma estação de radar na República Checa e de interceptores de mísseis na Polónia, alegando criar protecção face aos mísseis iranianos.

    Moscovo, porém, convencida que essa iniciativa vai contra os seus interesses estratégicos, propõe aos norte-americanos a utilização conjunta da sua base de radares de Gabalá, no Azerbaijão, país vizinho do Irão.

    Serguei Lavrov anunciou também que a Rússia e os Estados Unidos tencionam apelar para que todos os Estados se juntem ao Tratado de Destruição de Mísseis de Curto e Médio Alcance, assinado apenas pela ex-União Soviética e os Estados Unidos.

    "Tendo em conta o aumento das ameaças de difusão de mísseis no mundo, acordámos ser útil convidar todos os países, sem qualquer excepção, a juntar-se ao regime de não difusão", sublinhou Lavrov.

    De manhã, num encontro com a delegação norte-americana, o presidente russo, Vladimir Putin, deu a entender que o seu país poderá abandonar esse tratado se ele não vier a ser respeitado por outros países além da Rússia e dos Estados Unidos.

    Robert Gates declarou que os Estados Unidos esperam superar as divergências existentes entre Washington e Moscovo face ao Tratado sobre Tropas Terrestres na Europa.

    "Preocupa-nos a intenção da Rússia de abandonar o Tratado sobre Tropas Terrestres na Europa. Esperamos conseguir superar as divergências e os especialistas irão procurar uma solução para esta questão", sublinhou Gates, acrescentando que "esta questão poderá ser resolvida também com os restantes participantes" do Tratado.

    Serguei Lavrov aproveitou também a conferência de imprensa para reafirmar a oposição da Rússia ao emprego de sanções unilaterais contra o Irão e à ameaça de guerra.

    "Seguimos todos os acordos colectivos e, no que respeita à Rússia, vamos cumpri-los honestamente. Consideramos que este trabalho colectivo seria mais eficaz se não fossem dados passos paralelos no que respeita a sanções unilaterais em relação ao Irão, para já não falar dos apelos periódicos ao emprego da força militar contra o Irão", frisou Lavrov.

    No dia 16 de Outubro, o Presidente Putin realiza a sua primeira visita oficial a Teerão.

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