Milhares tentam deixar cidade devastada pelo tufão Haiyan

Milhares tentam deixar cidade devastada pelo tufão Haiyan

 

Lusa/AO online   Internacional   13 de Nov de 2013, 14:05

Milhares de filipinos estão esta quarta-feira a tentar sair de Tacloban, a cidade devastada pelo tufão Haiyan e que continua coberta de cadáveres, num ambiente cada vez mais tenso devido à lenta chegada de ajuda.

Cinco dias depois da passagem do Haiyan, um dos mais poderosos tufões a atingir terra, com ventos de mais de 300 quilómetros por hora, que provocaram ondas de mais de cinco metros, muitos habitantes de Tacloban tentam a todo o custo deixar a cidade.

Alguns causaram um tumulto hoje de manhã no aeroporto, implorando para embarcarem num dos raros aviões que deixam a cidade.

“Entram todos em pânico. Dizem que não há comida, não há água, querem partir”, disse o capitão Emily Chang, um médico militar que tenta tratar dos feridos no complexo do aeroporto.

O secretário do governo René Almendras explicou que a recolha de corpos parou porque as autoridades ficaram sem sacos para cadáveres.

“Agora temos 4.000 sacos. Esperamos que sejam mais do que os necessários”, adiantou.

A juntar ao último balanço provisório do governo, de 2.275 mortos e 80 desaparecidos, as autoridades anunciaram hoje que oito pessoas morreram na terça-feira no desabamento de uma parede de um armazém de arroz que estava a ser saqueado pela multidão em Alangalang, a 17 quilómetros de Tacloban.

Os ladrões fugiram com mais de 100.000 sacos de 50 quilogramas de arroz cada, disse Rex Estoperez, porta-voz da Autoridade Nacional de Alimentação.

A Organização Mundial de Saúde alertou, por seu turno, contra os riscos de doenças ligadas à água.

Apesar das promessas de donativos da comunidade internacional, a ajuda tem chegado a “conta-gotas”.

As autoridades asseguraram hoje que todas as estradas foram desimpedidas nas duas ilhas mais afetadas pelo tufão, Leyte e Samar (centro-leste das Filipinas), para facilitar o encaminhamento da ajuda à população.

No total, a ONU calcula que mais de 11 milhões de habitantes, ou seja, mais de 10 por cento da população das Filipinas, foram afetados pela catástrofe, entre os quais 673.000 deslocados.

A Organização Internacional do Trabalho estima que cerca de três milhões perderam temporariamente ou permanentemente o seu sustento.

Para evitar os saqueadores, foi instaurado o recolher obrigatório em Tacloban, capital da província de Leyte, e centenas de soldados e de polícias foram destacados para toda a cidade.

Mas a preocupação também é grande em relação a algumas ilhas mais afastadas, disse Patrick Fuller, porta-voz regional da Cruz Vermelha Internacional, que pensa que “levará dias, se não semanas, para se ter uma imagem precisa da situação”.


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