Açoriano Oriental
Memórias do antigo hospital de Angra reunidas em livro

“Entre a Vida e a Memória: Histórias de um Hospital” reúne 43 relatos de utentes e profissionais de saúde fotografados nas ruínas do antigo Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.


Autor: Cátia Carvalho/AO Online

A ideia de “criar um acervo de memórias e imagens que permitissem humanizar a ruína e dignificar a memória” do antigo edifício do Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo partiu do psicólogo clínico Filipe Fernandes. A ele juntou-se António Araújo, o designer de comunicação que fotografou os 43 rostos que aceitaram partilhar os seus testemunhos.

“Entre a Vida e a Memória: Histórias de um Hospital” reúne “um espectro muito alargado de vivências, desde o nascimento até à morte. É uma espécie de viagem pela vida e pela forma como lidamos com ela em determinados momentos”, conta António Araújo.

O projeto, patrocinado pela AGOJ Investimentos Lda, atual proprietária do espaço, permite “que independentemente das metamorfoses que aconteçam naquele espaço, permaneça um documento que honre o património humano que encerra”, sublinha Filipe Fernandes.

Para recolher as histórias que figuram no livro, Filipe Fernandes e António Araújo começaram pelas suas redes de amigos, “as reações foram, quase sem exceção, de confiança e encorajamento em relação ao projeto e aos seus propósitos”, refere o psicólogo acrescentando que “o objetivo foi criar um mosaico onde constassem diversas visões, quer de profissionais de saúde do hospital, quer de utentes, quer de outras profissões relacionadas com a dinâmica hospitalar. Entre os participantes existem médicos, enfermeiros, um agente funerário e até a primeira pessoa que nasceu naquele hospital”.

Fotografar nos mesmos espaços, agora degradados, “foi forte e marcante”, partilha António Araújo explicando que “de repente as pessoas eram confrontadas com umas ruínas que outrora tiveram vida. As memórias tomavam conta das nossas conversas até chegarmos ao ‘local do crime’. Ficou definido, logo de início, que os retratos seriam feitos nos locais onde as histórias aconteceram, era fundamental que as emoções guardadas durante estes anos todos ficassem registadas nos seus rostos para que a fotografia fosse mais sentida e intimista”.

O fotógrafo resume ainda que “foi um privilégio receber todas as pessoas, estes momentos de partilha vão ficar sempre connosco, aprendemos muito com eles, guardamos momentos muito especiais e tocantes e tudo isto graças a este projeto”.

Um projeto “sobre pessoas para pessoas” que Filipe Fernandes espera agora “ser apropriado pela comunidade” simbolizando assim “o culminar de todo o trabalho desenvolvido e a concretização do mesmo”.

Paralelamente ao livro, o projeto conta também com o lançamento de um website, já no próximo mês de outubro e uma exposição na Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro em Angra do Heroísmo agendada para o último trimestre do ano

 
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