Açoriano Oriental
Médicos e enfermeiros pedem maior “valorização” em 2021

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) nos Açores pedem mais “valorização” dos profissionais de saúde em 2021.

Médicos e enfermeiros pedem maior “valorização” em 2021

Autor: Carolina Moreira

Numa entrevista à Rádio Açores TSF e ao Açoriano Oriental sobre os principais desafios para este novo ano, o secretário regional do SIM, André Frazão, defende a “valorização” da profissão através da “melhoria da qualidade do trabalho e de vida” dos médicos.

“Isto só poderá acontecer através da melhoria da atratividade dos sistemas nacional e regional de Saúde e através da fixação de mais médicos para que aqueles que estão ao serviço possam fazer menos trabalho extraordinário, ter uma carga de trabalho menor e poderem passar mais tempo com as suas famílias”, ressalva.

André Frazão salienta que, em 2021, é necessário “reduzir as horas de trabalho de urgência das 18 horas para as 12 horas, permitindo libertar os médicos hospitalares para a recuperação de listas de espera de consultas e cirurgias”, algo que também só será conseguido com “a contratação de médicos especialistas como anestesistas”, realça.

Relativamente aos médicos de família, o secretário regional do SIM afirma ser necessário “começar a trabalhar na redução das listas de utentes de cada médico de família para que possam também eles dar melhor resposta e em tempo mais adequado”.

André Frazão faz ainda questão de afirmar que a profissão de médico foi a que “mais poder de compra perdeu nos últimos anos”, frisando que espera que seja possível a “desejada renegociação da grelha salarial a nível nacional, porque só assim o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o Serviço Regional de Saúde (SRS) podem voltar a ser minimamente atrativos e não acontecer aquilo que se viu nos últimos concursos em que um terço das vagas de recém especialistas ficaram por preencher”.

Também Francisco Branco, presidente da direção regional dos Açores do SEP, defende a valorização dos enfermeiros em 2021, definindo como prioridades “arrumar as pontas soltas e pendentes” relativamente à carreira e melhorar o investimento em recursos nos cuidados primários.

“Esperamos que, com o novo Governo Regional, todas as pontas soltas relativamente ao descongelamento das carreiras e à contagem dos pontos dos enfermeiros na função pública fiquem concretizadas”, pede Francisco Branco, ressalvando que, do ponto de vista jurídico, estas questões estão concluídas, mas “já lá vão dois meses e meio e na prática nada aconteceu”.

“Também é necessário olhar para os enfermeiros nos centros de saúde de forma diferente, porque a pandemia ensinou-nos que a carência de profissionais já não é só nos hospitais”, ressalva o representante do sindicato.

Para Francisco Branco, “é importantíssimo que os centros de saúde tenham recursos humanos capazes de fazer frente às necessidades que possam acontecer e que ficou demonstrado que agora não têm”, frisa.

Relativamente ao diálogo com o novo governo, o representante do SEP nos Açores espera que seja “mais fácil”. “Uma das nossas queixas face ao anterior executivo era aquela sensação estranha de que existia um fantasma nas negociações que impedia que estas avançassem. Estamos a falar da vice-presidência que não permitia aos secretários regionais da Saúde qualquer tomada de decisão”, relata.

Tanto os médicos como os enfermeiros colocam muita “esperança” na vacinação em 2021 para que o impacto da pandemia nos serviços de saúde seja reduzido e “todos possamos voltar um pouco à normalidade”, referem.

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