África do Sul

Mandela enaltece papel de Miriam Makeba na luta contra «apartheid»


 

Lusa/AOonline   Internacional   10 de Nov de 2008, 11:57

O antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela classificou a cantora Miriam Makeba, falecida no domingo à noite em Itália aos 76 anos, como uma das "mães" da luta contra o «apartheid».
"Foi a primeira-dama sul-africana da canção e ostentou com merecimento de sobra o título de 'Mama Africa', pois foi uma mãe para a nossa luta e para a nossa jovem nação", escreveu Nelson Mandela num comunicado.

    "Por muitas décadas, anos antes de eu ter sido preso, 'Ma Miriam' ocupou um lugar importante nas nossas vidas e desfrutámos das suas comoventes actuações", prosseguiu Mandela, que sublinhou que a música de Miriam Makeba "inspirou um sentimento de esperança" nos sul-africanos.

    Miriam Makeba viveu no exílio durante 35 anos nos Estados Unidos, França, Guiné e Bélgica antes do seu emotivo regresso a Joanesburgo em 1990, quando regressaram muitos exilados sul-africanos ao abrigo de reformas instituídas pelo então presidente F.W. de Klerk.

    Para o prémio Nobel da Paz em 1991, apesar do "tremendo sacrifício e dor" que a cantora experimentou no exílio, "continuou a fazer os sul-africanos orgulhosos ao utilizar a sua fama mundial para atrair a atenção sobe a abominação do apartheid" - contra o qual Mandela lutou até 1994, quando foi eleito Presidente.

    Mandela salientou que Makeba, no regresso à África do Sul, a 10 de Junho de 1990, "continuou a usar o seu nome de forma a promover músicos e apoiar a luta das mulheres" e adiantou que um dos últimos projectos da cantora estava direccionado para a ajuda às vítimas de minas anti-pessoais.

    A cantora sul-africana morreu domingo à noite em Castel Volturno (perto de Nápoles, sul de Itália) vítima de uma paragem cardíaca, ao sair do palco depois de ter actuado num concerto de apoio ao jornalista Roberto Saviano, ameaçado de morte pela máfia - Saviano é autor do «best-seller» "Gomorra", um livro sobre a Camorra que foi adaptado ao cinema e mereceu o prémio do júri no último festival de Cannes.

    "Foi muito próprio dela que os seus últimos momentos tivessem sido vividos sobre o palco, enriquecendo os corações e as vidas dos outros e, novamente, no apoio de uma boa causa", concluiu Mandela no comunicado.

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