Mais uma ronda de negociações no Zimbabué falhada


 

Lusa/AO online   Internacional   1 de Set de 2008, 11:49

Equipas de negociadores da Zanu-FP (de Robert Mugabe) e do Movimento para a Mudança Democrática (MDC, de Morgan Tsvangirai), abandonaram domingo a África do Sul de regresso a Harare, depois de mais uma ronda negocial para a constituição de um governo de unidade nacional ter falhado.
Durante encontros separados, sábado, em Pretória, entre as equipas das duas facções do MDC, da Zanu-FP e conselheiros especiais do mediador Thabo Mbeki, o plano elaborado pela Comunidade para o Desenvolvimento para a África Austral (SADC) acabou por não ser mais uma vez assinado, deixando no ar um enorme ponto de interrogação sobre o futuro imediato do Zimbabué.

    O plano prevê que Mugabe mantenha a Presidência zimbabueana e que Tsvangirai ocupe o posto de primeiro-ministro, mas o líder do MDC recusou de novo assinar o acordo por considerar que não deterá quaisquer poderes executivos apesar de ter vencido a primeira volta das eleições presidenciais (a única validada pela SADC) e o seu movimento ter conquistado uma maioria parlamentar.

    Com Robert Mugabe a não abdicar de plenos poderes na chefia do Estado e do executivo – situação potenciada pela fidelidade dos chefes militares a Mugabe – e Tsvangirai a recusar trair os seus princípios, a luta política centra-se agora no parlamento (dominado agora pelo MDC) e no Senado, onde o bloqueio, mais do que a reconstrução da economia e da democracia, será o tema dominante.

    Segundo fontes sul-africanas, Thabo Mbeki conseguiu convencer Mugabe a não avançar pelo menos nos próximos sete dias, com os seus planos de nomear um governo por iniciativa unilateral, dando tempo a que mais rondas negociais tenham lugar.

    Para o MDC, a eventual nomeação por Mugabe de um executivo constituiria uma traição ao espírito do memorando de entendimento que está na base das negociações de partilha do poder e poderia significar a rotura total do processo.

    No Zimbabué, entretanto, o clima de intimidação continua a dominar a cena política, com quatro dos cinco membros do parlamento eleitos pelo MDC que foram detidos a semana passada pelas autoridades ainda em custódia policial e fazendeiros a serem expulsos das suas propriedades arbitrariamente e por ordens de oficiais e políticos afectos ao partido de Robert Mugabe.

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