Mais de 60 pessoas de uma família têm doença hereditária da tiroide

Há mais de 60 pessoas de uma mesma família de São Miguel que têm uma doença hereditária que afeta a forma como o organismo responde às hormonas da tiroide. A doença chama-se Resistência às Hormonas Tiroideias e está a ser estudada há vários anos.



A doença começou no final do século XIX, altura em que se identificou a alteração genética que está na origem da doença. Desde então, a doença passou de geração em geração e já foi diagnosticada em familiares da quarta geração. Entretanto, os indivíduos desta família seguiram o percurso normal da vida e, por isso, a doença já está presente em Portugal Continental, no Canadá e na América do Norte, além da ilha de São Miguel.

É uma doença que não é fácil de ser diagnosticada. As análises da tiroide, nestas pessoas, têm alterações e, muitas das vezes, têm também a tiroide maior do que o normal, o chamado bócio. Estes sinais são confundidos com outras doenças da tiroide facilmente e podem levar a tratamentos que, afinal, não são precisos nem são os indicados.

“É uma doença que pode ser mal interpretada”, explica o médico endocrinologista João Anselmo.

Além disso, estes doentes sentem o impacto da doença no dia a dia. Nas crianças, pode estar associada a alterações no desenvolvimento e a problemas psicológicos ou psiquiátricos. Nos adultos, pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares, como alterações do ritmo do coração, fibrilhação auricular e acidentes vasculares cerebrais.

João Anselmo refere que não existe cura para a doença, o que se faz é acompanhar os doentes e reduzir algumas complicações. A doença também não passa sempre de um pai ou de uma mãe para o filho. O que acontece é que, quando um dos progenitores tem esta alteração genética, há 50% de probabilidade de o filho a herdar.

A condição desta família foi um dos temas discutidos no encontro internacional que reuniu ao longo desta semana, em Ponta Delgada, 103 investigadores de 19 nacionalidades para discutir doenças genéticas e hereditárias da tiroide.

Nos Açores, as doenças da tiroide são comuns. João Anselmo refere a falta de iodo na alimentação como um dos fatores que contribui para doenças da tiroide na Região, e sublinha a importância de uma alimentação equilibrada e do uso de sal iodado.

Quanto aos cuidados de saúde, São Miguel e Santa Maria têm, segundo o especialista, endocrinologistas suficientes para acompanhar os doentes. No entanto, nas restantes ilhas, há falta de profissionais nesta especialidade, o que obriga tanto utentes como endocrinologistas a deslocarem-se entre ilhas.

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Os sindicatos de professores da região alertam para a necessidade de serem tomadas medidas que alterem esta tendência. Incentivos como compensações remuneratórias mais elevadas e apoios à habitação são considerados necessários.