Saúde

Ligação entre saúde e ambiente já é preocupação política em Cabo Verde


 

Sofia Castro, Lusa/AO online   Internacional   29 de Ago de 2008, 11:18

O ministro do Ambiente cabo-verdiano realçou, em declarações à Lusa, a importância estratégica do encontro ministerial que hoje termina em Libreville, destacando que em Cabo Verde a interligação entre a saúde e o ambiente é já uma preocupação política.
    "Esta conferência acontece num momento certo para Cabo Verde, para que possamos fazer ajustes nas políticas que temos vindo a seguir, seja ao nível de recursos orçamentais ou de infra-estruturas", afirmou José Maria Veiga.

    "Cabo Verde é um país que tem uma grande vulnerabilidade ambiental e por isso mesmo toda a sua luta ao longo da história tem sido fazer face a estes grandes desafios e riscos", relembrou.

    "A interligação que esta conferência está à procura entre a Saúde e o Ambiente vem exactamente nas orientações que o Governo de Cabo Verde tem conseguido seguir ao longo de alguns anos", realçou o governante.

    A exploração das areias e a erosão da terra são alguns dos principais flagelos ambientais no arquipélago, de acordo com o ministro cabo-verdiano.

    Também em declarações à Lusa, Vera Figueiredo, da Direcção-Geral do Ambiente de Cabo Verde, sublinhou a importância de existir um consenso real entre todos os parceiros africanos nestas matérias.

    "Os países têm de começar a pensar e a falar a uma só voz ao nível das implementações das medidas que as principais Convenções de Saúde e Ambiente determinam", afirmou a responsável.

    "Espero que os africanos tentem falar a uma só voz para obter os recursos técnicos e financeiros necessários para criar medidas que tenham algum efeito na prática", reforçou.

    Em 2004, segundo Vera Figueiredo, Cabo Verde aprovou o Plano de Acção Nacional para o Ambiente, um instrumento político que define estratégias e planos de acção para cumprir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, definidos pelas Nações Unidas até 2015.

    As prioridades do plano incidiram na gestão dos resíduos hospitalares, na prevenção de doenças, na água potável e nas condições atmosféricas.

    "Cabo Verde acredita que já atingiu os objectivos do Milénio", mas "a preocupação agora são as disparidades entre ilhas e entre concelhos", concluiu.

    Em 2007, quase a totalidade da população (89,5 por cento) tinha acesso a água potável, sendo que para 50 por cento o acesso era feito através da rede domiciliária.

    Estes dados, do Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde, referem ainda que mais de metade (56,2 por cento) da população tem uma casa de banho equipada com retrete, mas ainda existe 35 por cento da população que não tem qualquer instalação de saneamento básico.

    Entre os mais sérios problemas do território cabo-verdiano está o tratamento de resíduos sólidos.

    Em 2007, a recolha em contentores era opção para 47,7 por cento da população, mas cerca de sete por cento ainda colocava o lixo em redor da casa.

    Outra das preocupações é a ainda elevada utilização doméstica de combustíveis sólidos (madeira, carvão) e o seu impacto nas crianças e nas mulheres ao nível das doenças crónicas respiratórias.

    Ainda 32,9 por cento da população utiliza lenha para cozinhar, situação que regista uma forte incidência (67,6 por cento) nos meios rurais.

    "Há 20 anos, as doenças diarreicas eram a primeira causa da procura hospitalar, agora são as doenças crónicas respiratórias", disse à Lusa Maria do Céu Teixeira, médica no Hospital Agostinho Neto (Cidade da Praia) e um dos elementos da delegação cabo-verdiana presente na primeira conferência interministerial sobre Saúde e Ambiente, a decorrer desde terça-feira no Gabão.

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