Kasparov sai em liberdade e promete continuar a luta

Kasparov sai em liberdade e promete continuar a luta

 

Lusa / AO online   Internacional   29 de Nov de 2007, 14:48

Garri Kasparov, antigo campeão do mundo de xadrez e dirigente da Frente Cívica Unida (FCU), saiu esta quinta-feira em liberdade depois de cinco dias de prisão.
"O regime entra numa fase muito perigosa de regresso à ditadura", declarou Kasparov aos jornalistas e manifestantes que o esperavam junto da sua residência, no centro de Moscovo, após ter abandonado a prisão.

"Não me deixarei desencorajar na minha determinação de combater este regime. Entramos numa nova fase de oposição ao regime", acrescentou o dirigente da organização Outra Rússia, que reúne várias forças da oposição ao presidente Vladimir Putin.

Kasparov foi detido pela polícia de choque no passado sábado, durante a "Marcha dos Discordantes", e condenado a cinco dias de prisão por "perturbar a ordem pública" e "organizar uma manifestação não autorizada".

"Ele foi libertado um pouco antes do que nós pensávamos", declarou aos jornalistas a activista política Marina Litvinovitch, apoiante de Kasparov.

A saída da prisão de Garri Kasparov, um dos principais adversários políticos de Putin, estava prevista para as 16:30 locais, mas acabou por ocorrer meia hora antes, o que foi inesperado para os seus correligionários.

Como era desconhecido o estabelecimento prisional onde Kasparov se encontrava detido, dezenas de jornalistas e de apoiantes de Kasparov reuniram-se junto do edifício onde reside para ouvir as suas declarações.

A detenção de Kasparov, que já anunciou que irá lutar pelo cargo de Presidente da Rússia nas eleições de 02 de Março de 2008, foi condenada por numerosos políticos e organizações internacionais.

"As acções das autoridades russas - desde a detenção infundada do dirigente da oposição Garri Kasparov até ao espancamento de jornalistas, defensores dos direitos humanos e ao emprego de força exagerada em relação a manifestantes pacíficos - contribuíram para o estabelecimento de uma atmosfera em que é complicado ou mesmo impossível exprimir desacordo e falar das violações dos direitos do homem", declarou Nicola Duckworth, directora da Amnistia Internacional para a Europa e Ásia Central.

Mikhail Gorbatchov, antigo presidente da ex-União Soviética, condenou também a detenção de Garri Kasparov.

"Penso que é desproporcionado prender Kasparov durante cinco dias", declarou Gorbatchov, sublinhando que "a culpa é dos órgãos de segurança locais".

As eleições legislativas russas realizam-se domingo, e o partido de Vladimir Putin, Rússia Unida, lidera as sondagens com uma margem confortável.


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