Crime

Jovem é morto dentro de casa em Loures

Jovem é morto dentro de casa em Loures

 

Lusa/AO online   Nacional   17 de Ago de 2008, 12:19

O jovem que perdeu a vida na madrugada de domingo na Quinta do Mocho, em Loures, foi morto dentro de casa por "um grupo" que trancou a família no interior durante o assalto, descreveu mãe da vítima.O tiroteio causou ainda cinco feridos, segundo fonte policial.
Destes, dois foram internados no hospital Santa Maria, enquanto outros dois ficaram em observação no bloco de cirurgia no Curry Cabral, em Lisboa, tendo um quinto ferido tido alta ao início da manhã do mesmo dia do hospital. 
"Eles vieram aqui, partiram os estores e a janela da sala à pedrada e entraram para dentro de casa e mataram o meu filho. Não sei se com pedras se com tiros", disse Bemvinda Semedo Pereira, 47 anos, natural de Cabo Verde.
O jovem de 20 anos que morreu era o segundo de quatro filhos, todos rapazes, com idades entre os 21 e os 11 anos.
A vítima e um dos seus irmãos residem em França com o pai, encontrando-se em Portugal temporariamente, há cerca de mês e meio, para renovar documentação 
Bemvinda Pereira relatou que o filho acabara de chegar a casa, na Urbanização do Terraço da Ponte, lote 2, quando o grupo iniciou o ataque, tendo-a trancado num quarto juntamente com o seu pai, acamado, e a um outro filho, acompanhado por um primo, numa outra divisão da habitação.
O grupo, que Bemvinda Pereira afirma ser composto por cerca de dez pessoas , terá "cercado" o jovem, agredindo-o na cozinha e "partindo as coisas todas" nesta divisão e também na sala.
No interior da casa, são visíveis os sinais de brutalidade e agressão, como a porta da cozinha arrancada, vidros partidos e caixas de ovos com as cascas quebradas e espalhadas pelo chão e móveis, constatou a Lusa no local.
No exterior, vêem-se marcas de balas no caixilho da janela e na parede do prédio.
A mãe da vítima relata que o grupo vinha de uma festa na rua Agostinho Neto, onde já teriam disparado alguns tiros.
A PSP de Lisboa adiantou à Lusa que os disparos que atingiram os cinco feridos também vítimas do tiroteio foram feitos a partir de dois carros em movimento, enquanto passavam junto a um grupo onde estava a decorrer uma festa.
O mesmo grupo, adiantou fonte do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa, terá disparado "mais uns tiros, dez a quinze minutos" mais tarde no bairro da Bugalheira.
"Começaram a dar os tiros e vieram acabar aqui", contou Bemvinda Pereira, acrescentando que o filho não se encontrava nesta festa, mas numa outra, em Fetais, igualmente no concelho de Loures.
A família ainda chamou a polícia e uma ambulância, que não chegaram entretanto, pelo que o filho acabou por ser transportado para o hospital num carro de um vizinho. 
As situações de agressões e insegurança são frequentes no bairro, afirmou a mãe da vítima.
"Esta é uma 'brincadeira' de todos os dias. A polícia nunca cá vem nem as ambulâncias", relatou, recordando que "ainda há pouco tempo foi morto um angolano aqui perto".
Bemvinda referiu ainda que o seu filho mais novo, de 11 anos, contou à polícia que no sábado de manhã ouvira um grupo a dizer que iria assaltar a casa da mãe, mas na altura a criança apenas transmitiu essa informação aos irmãos, omitindo-a de Bemvinda.
Junto à casa da vítima, vivem-se momentos de grande angústia e tristeza, com muitas pessoas, entre familiares e amigos, a chorar.
Vizinhos de outros bairros deslocaram-se também ao local para prestar apoio e solidariedade à família.


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